Category: Gay Created on Wednesday, 01 July 2009 16:07 Last Updated on Wednesday, 01 July 2009 16:07 Published on Wednesday, 01 July 2009 16:07 Hits: 6070
30/06/2009 Antes de serem presos, muitos travestis que hoje estão na cadeia faziam programas para sobreviver. Dentro do presídio essa realidade não muda e o sexo vira moeda de troca. Precisando de dinheiro, chegam a ter relações íntimas por apenas R$ 1 ou mesmo trocam por um cigarro, um sabonete, uma escova de dente. Detido no Presídio Aníbal Bruno por assaltar um cliente, Adriano Francisco Gomes, Soraia, 27 anos, afirma que os programas dentro da cadeia são comuns.
"Tem muito preso que não aceita a gente aqui, mas depois vem nos procurar, querendo fazer programa. Sou do interior da Paraíba e ninguém da minha família vem me visitar. Ou seja, sou eu e Deus. Então, tenho que me virar do jeito que dá. Faço programa e lavo roupa para ganhar um trocado", explica.
Soraia está no sistema penitenciário desde 2006 e diz que já perdeu as contas de quantos relacionamentos sexuais teve dentro da cadeia. "Não tenho ideia de quantos programas já fiz. Mas também, quando estou com vontade e o cara não tem dinheiro, faço de graça mesmo", conta o TRAVESTI em meio a gargalhadas.
Daniel Roberto da Silva Santos, Nêga do Babado, 21, afirma que já chegou a cobrar R$ 1 por um programa dentro do Aníbal Bruno. "Não vou mentir. Já fiz sexo por R$ 1. Estava precisando de dinheiro e fiz mesmo. Mas agora deixei disso, não faço mais programa. Ganho meu dinheirinho lavando roupa", garante.
Já Thiago José Alves da Silva, conhecida como Tyanne, 19, tem um namorado na cadeia, mas não dispensa os programas com outros detentos. "Preciso de dinheiro para sobreviver. Então já fiz sexo aqui dentro por R$ 10, R$ 5 e até R$ 2", afirma.
PESQUISA
Após receber denúncias de que os processos dos homossexuais presos em Pernambuco estavam emperrados - e que isso poderia ser fruto de preconceito - a ONG Movimento Leões do Norte decidiu ir a duas unidades prisionais, uma masculina e outra feminina, para saber como gays e lésbicas estavam sendo tratados. As visitas ocorreram no ano passado.
"Constatamos que, além da situação de calamidade na qual vivem os presos, os gays sofrem ainda mais. Algo que nos preocupa é a questão da AIDS", revela o coordenador da ONG, Rildo Veras. Para ele, relações sexuais dentro da prisão são uma realidade. "O único direito negado ali é a liberdade. Mas a questão da saúde deve ser respeitada, com a distribuição de camisinhas entre os homossexuais e de remédios para quem é SOROPOSITIVO." Nos próximos meses, segundo Veras, a pesquisa deve ser retomada, junto a um trabalho de conscientização dos gestores.
JORNA LDO COMMÉRCIO - PE |
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