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Adolescência

Escolas: Camisinhas ao alcance

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Tory Oliveira

Projeto de distribuição gratuita de PRESERVATIVOS na rede pública de ensino gera polêmica

Instalada no pátio, no corredor, no banheiro ou mesmo na enfermaria da escola, uma máquina semelhante às utilizadas para vender refrigerantes e salgadinhos pode ser a fonte em que alunos do Ensino Médio da rede pública poderão conseguir pacotes de PRESERVATIVOS. Este cenário será realidade caso vingue o projeto piloto para instalar máquinas automáticas de distribuição de camisinhas nas escolas. Fruto de parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, a iniciativa faz parte do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), que conta com o apoio de órgãos como a Unesco e o Unicef.

"A escola é mais um espaço para o jovem ter acesso aos insumos de prevenção e à informação também", explica Nara Vieira, do DEPARTAMENTO DE DST/AIDS e Hepatites Virais, órgão ligado ao Ministério da Saúde. Trazer a CAMISINHA para dentro da escola é apenas uma das ações do SPE, cujo objetivo global é promover a saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, ao articular políticas públicas que tornem os jovens menos vulneráveis a doenças sexualmente transmissíveis e à AIDS. Contribuir para a redução dos índices de evasão escolar causados pela gravidez na adolescência também é uma das metas do programa. "A partir do momento em que há uma máquina dispensadora de PRESERVATIVOS na escola, sem dúvida ela vai despertar interesse para discutir sobre o tema da prevenção."

O projeto prevê a instalação das máquinas apenas em estabelecimentos de ensino que façam parte do SPE, ou seja, que já realizem ações educativas e discussões sobre prevenção e sexualidade com a comunidade escolar. De acordo com o Censo Escolar de 2008, cerca de 60 mil escolas de Ensino Básico participam do programa e 11 mil distribuem de alguma forma o PRESERVATIVO para seus alunos. "A máquina vai ser apenas um facilitador, não vai implicar mudança alguma dentro da escola", esclarece Ellen Zita, assessora técnica do DEPARTAMENTO DE DST/AIDS e Hepatites Virais. Segundo Ellen, um dos objetivos da ideia é harmonizar as formas de distribuição do PRESERVATIVO. Assim, a máquina não funcionaria como um elemento isolado, mas, sim, como um complemento de um projeto pedagógico maior.

Aluno do terceiro ano do Ensino Médio, Renan Souza Meira, 18 anos, faz coro com uma pesquisa realizada em 2005, na qual foi constatado que 89,5% dos estudantes consideram a disponibilização de camisinhas no ambiente escolar "uma ideia legal". "Acho ótimo. Vai evitar o constrangimento de precisar ir até uma farmácia para comprar", defende. A mesma pesquisa, feita com 102 mil estudantes em 14 estados, revela ainda que o principal motivo alegado por 42,7% dos estudantes para não usar o PRESERVATIVO é não tê-lo na hora H - cerca de 10% deles declararam ainda que não têm dinheiro para comprá-lo.

Seis escolas públicas do Ensino Médio em Santa Catarina, na Paraíba e no Distrito Federal receberão as 40 primeiras máquinas para ser testadas dentro do ambiente escolar. Os protótipos são de tecnologia 100% nacional e foram desenvolvidos a partir de um concurso (Prêmio de Inovação Tecnológica) lançado em 2007 para todos os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) do Brasil. Foi de Santa Catarina que saiu o protótipo de máquina mais bem avaliado, escolhido para ser usado no projeto.

As máquinas oferecerão PRESERVATIVOS masculinos de dois tamanhos aos alunos, mediante a apresentação de uma senha e do número de matrícula. O número de PRESERVATIVOS disponíveis para cada aluno ainda não foi estabelecido e será decidido de acordo com os resultados dessa primeira experiência, prevista para durar seis meses. "O contexto de cada escola vai modificar o projeto inicial. Não existe fórmula mágica", explica Ellen Zita.

MUDANÇA DE PARADIGMA

Além de ser uma forma de sistematizar as diferentes formas de distribuição do PRESERVATIVO nas escolas, oferecer camisinhas gratuitamente, por meio de uma máquina automática, facilita o acesso do jovem ao PRESERVATIVO, uma vez que evita que ele deixe de adquirir o produto por falta de dinheiro ou embaraço de precisar pedir para terceiros ou ir até um posto de saúde retirar a CAMISINHA.

No terceiro ano do Ensino Médio, Verônica Nogueira, 17 anos, acha que a instalação da máquina em escolas pode contribuir também para iniciar um debate em torno do assunto. A estudante acredita que, apesar do estranhamento inicial de pegar camisinhas "na frente de todo mundo", a máquina poderia tornar o processo de aquisição do produto mais fácil. Aluna de um colégio particular em São Paulo, Verônica não tem aulas de EDUCAÇÃO SEXUAL. "Eu sinto muita falta, acho que eles deveriam tirar mais dúvidas da gente." De acordo com a estudante, o assunto "sexo" só é abordado na aula de Biologia, mesmo assim "muito por cima".

Para a sexóloga Maria Cláudia de Oliveira Lordello, o adolescente em geral tem acesso ao conhecimento de que é preciso usar CAMISINHA e outros métodos ANTICONCEPCIONAIS, a fim de evitar a gravidez e a contaminação por DSTS. Ainda assim, os anos de campanhas massivas a respeito da importância do uso do PRESERVATIVO parecem não ter sido capazes de modificar alguns comportamentos típicos da adolescência. Talvez seja por isso que, quando o assunto é CAMISINHA, a prática acaba se provando muito diferente da teoria. Um dos motivos, de acordo com a especialista, é o pensamento do "comigo não acontece". "Trata-se de um olhar bem típico dessa fase. O adolescente sente-se protegido, onipotente, e não tem muita consciência das consequências de seus atos", explica. Ainda assim, a maior presença do PRESERVATIVO no cotidiano do adolescente ajuda a contornar esse tipo de caso.

Outro problema constatado é a resistência de certos setores da sociedade, alimentada pelo pensamento, equivocado, na opinião da sexóloga, de que falar sobre sexo com os jovens estimularia de alguma forma um comportamento sexual mais precoce. "Isto não é real. Muito pelo contrário. Quanto mais se fala, menos curioso e proibido o assunto se torna." Apesar da impressão de que hoje o sexo é encarado com mais naturalidade pela maioria, Maria Cláudia lembra que ainda é complicado para muitas pessoas entender o sexo como algo prazeroso - e não só como uma forma de reprodução. A origem de tal pensamento estaria na repressão sexual experimentada durante séculos pela sociedade ocidental, que só começou a ensaiar uma abertura a partir da revolução sexual dos anos 60. "A mudança de conceito do sexo reprodutivo para o sexo prazeroso está sendo difícil. Esta ainda é a principal dificuldade que os pais encontram na hora de falar com seus filhos sobre sexo", explica. Apesar desse tipo de reação, a realidade apontada por pesquisas é de que a população brasileira inicia sua vida sexual por volta dos 15 anos. Outro dado apontado é que praticamente a metade - 44,7% - dos estudantes já possui vida sexual ativa. "A existência da máquina de CAMISINHA atesta justamente isso, que os jovens fazem sexo por prazer e não só para se reproduzir", afirma a sexóloga.

Tory Oliveira

 

CARTA CAPITAL | CARTA NA ESCOLA

Last Updated on Monday, 02 January 2012 19:11

Hits: 7056

No carnaval, mulheres adolescentes têm dificuldade em negociar uso do preservativo e ignoram risco de infecção

AIDS | CAMISINHA | DST | CONTRACEPTIVOS 


Ministério da Saúde lança nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, campanha voltada às adolescentes menos escolarizadas e com baixo poder aquisitivo.

 

aids

 

Preocupado com o aumento dos casos da doença na faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos - em especial as mulheres de menor escolaridade e poder aquisitivo - o Ministério da Saúde lança, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, a campanha de prevenção ao HIV no carnaval.

 

A campanha deste ano será dividida em dois momentos: antes e depois das festas. A mensagem pré-carnaval focará a prevenção ao HIV, promovendo o uso do PRESERVATIVO. No pós-carnaval, enfatizará a necessidade de se realizar o teste de detecção dos vírus da AIDS, SÍFILIS e hepatites para quem não se preveniu em qualquer relação sexual.

 

Thais Nadielle, de 18 anos, é estudante e mora em Campo Grande. Ela contou à Agência de Notícias da AIDS que tem vergonha de exigir o PRESERVATIVO.

 

"Não gosto de pedir, mas também não tenho relação sem CAMISINHA. Aqueles que mostram que não vão usar, dou uma desculpa e fujo da relação", disse.


Integrante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e AIDS, Thais acredita que as mulheres da sua idade não medem muito bem as consequências de um único ato sexual sem CAMISINHA:  "Para elas parece que tudo é curtição e que não há risco", comentou.

 

Colega de Thais nessa Rede de Jovens, Andréia Fernandes, de 28 anos, trabalha na prevenção das DST/AIDS em Pelotas, Rio Grande do Sul.

 

Segundo Andréia, em conversas com as adolescentes fica evidente que elas são submissas aos homens, muitas vezes mais velhos, além de serem mal informas sobre os riscos de infecção ao vírus.

 

"Algumas delas usam PÍLULA para não engravidar, mas não se preocupam com a AIDS", disse.

 

Em São Paulo, o Centro de Referência e Treinamento do Programa Estadual de DST/AIDS está desenvolvendo um projeto para dar destaque ao PRESERVATIVO como método anticoncepcional e não apenas como insumo de prevenção ao HIV, conta a epidemiologista Naila Janilde Seabra Santos.


Naila repete os mesmos motivos citados por Thais e Andréia para falar da vulnerabilidade das adolescentes ao HIV. "Trata-se do início da vida sexual. Então, há imaturidade, troca de parceiros e pouca responsabilidade", comenta.

 

Segundo dados do Ministério da Saúde, apesar de haver mais casos de HIV e AIDS entre homens, essa diferença diminui ao longo dos anos. Em 1989, a razão de sexos era de cerca de 6 casos de AIDS no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2009, chegou a 1,6 caso em homens para cada 1 em mulheres.

 

Na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos casos já é diagnosticada nas mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros.

 

Agência AIDS

 

CARTA CAPITAL | SAÚDE


Last Updated on Sunday, 27 February 2011 13:48

Hits: 6477

Projeto social atende jovens abordando saúde e prevenção

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | ANTICONCEPCIONAIS | CONTRACEPTIVOS

Após beneficiar mais de 4,7 mil pessoas, O Cravo e a Rosa, que existe apenas na Ceilândia, estuda expandir projeto por todo o Distrito Federal

adolescentes1

Rafael Mouad

This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. Redação Jornal Coletivo

Ao chegar à fase da adolescência, meninos e meninas se deparam com dúvidas que nem sempre são compartilhadas com os pais. Foi pensando nos adolescentes que a Secretaria de Justiça (Sejus) criou, por meio da Subsecretaria para Assuntos da Criança, Adolescente e Juventude (Subjuv), o projeto O Cravo e a Rosa, referência para atender jovens entre 10 e 19 anos na Ceilândia. Agora, a subsecretaria estuda ampliar o programa para atender outras cidades do DF, além de criar um ônibus itinerante.

O programa já beneficiou mais de 4,7 mil jovens, por meio de palestras sobre sexualidade, prevenção de gravidez precoce e indesejada, paternidade responsável, doenças sexualmente transmissíveis e planejamento familiar, além de atendimento ginecológico, distribuição de PRESERVATIVOS e ANTICONCEPCIONAIS para as meninas. O trabalho é desenvolvido pela Subjuv em parceria com a Secretaria de Saúde do DF, que repassa o material necessário para o atendimento ginecológico e disponibiliza dois médicos especialistas em adolescentes.

Criado em 2006 como a Casa da Menina Moça, o projeto não englobava os meninos, porém, a Subsecretaria da Juventude percebeu que era preciso incluí-los. "Em 2008, a ação foi ampliada em também tirar as dúvidas dos meninos, passando a se chamar O Cravo e a Rosa. Além de prestar atendimento médico às meninas e palestras aos meninos, são realizadas palestras de orientação sexual em escolas públicas", explicou o subsecretário Walisson Perônico.

Para a moradora de Sobradinho, Maria, 16 anos, todos deveriam ter acesso ao programa. "Seria muito bom ter um local que atendesse adolescentes não apenas em Ceilândia." A unidade funciona na Ceilândia Norte (QNN 17 - Conj. B). Contato: 3355-8376.

 

COLETIVO - DF | CIDADES


Last Updated on Wednesday, 22 September 2010 15:13

Hits: 4467

03/07/2009 - Adolescência e o começo do namoro

adolescencia

Adolescência, fase de bons momentos e de grandes perigos. 

 

Quase sempre que se pensa em um ou uma adolescente, a primeira idéia que aparece é a de problemas. Como se isso acontecesse somente nessa fase de nossas vidas ou como se não houvesse nada de bom que pudesse vir dele e com ele. A adolescência é uma fase de transformações e mudanças que envolvem não só o físico (acne, primeira menstruação, transpiração etc.), mas também a personalidade, a auto-estima, os relacionamentos familiares, sociais, sexuais e afetivos.

 

A adolescência é uma ponte entre a criança que fomos (e que é difícil deixar de ser) e o adulto que seremos (e que é difícil chegar a ser). Ou seja, é uma passagem. E como é que podemos nos sentir seguros e confiantes em um lugar que não conhecemos, que não sabemos quando chegamos e não temos idéia de quando vamos sair? O adolescente busca se conhecer, conquistar o mundo e parece não ter tempo para esperar. A busca do adolescente é para se tornar independente, para andar com seus próprios pés, experienciar suas próprias emoções o mais rápido possível. Afinal, essa é só uma fase de passagem e ele não sabe quando vai ter de se transformar em um adulto.

 

Assim, ele precisa de respostas objetivas e concretas que o orientem e estimulem sua busca. O que os pais podem fazer então? Diálogo sem julgamento, mas com responsabilidade. Ser receptivo, sem ser invasivo. Estar sempre atento e, sempre que possível, disponível para um papo casual. Se essa oportunidade não aparecer espontaneamente, uma matéria em uma revista, trecho de um filme ou novela, ou uma notícia de jornal ou algo na vizinhança podem ser bons pretextos para tocar em temas delicados (drogas, sexo, vícios).

 

Se os pais demonstram confiança, abre-se a possibilidade da proximidade do jovem. Por mais difícil que possa parecer, ouvir muito e falar pouco é um bom começo. Se os filhos entenderem que a preocupação não é uma invasão, o controle das saídas (onde e com quem), festas, shoppings, cinemas, casa dos amigos podem ser uma segurança a mais e não um motivo de atrito. Pais mais permissivos podem levar a namoros mais precoces. Pais presentes demais podem impor um momento 'mais adequado e mais tardio' para o início do namoro. O que buscamos evitar é o namoro escondido, pois a paixão acontece, sem programação.

 

Promoção à saúde, prevenção e orientação sobre cuidados devem ser oferecidos desde cedo. Falar sobre sexualidade, além dos sentimentos que podem ser abordados, deve privilegiar a orientação. Noções sobre doenças sexualmente transmissíveis (GONORRÉIA, AIDS, HPV) e gravidez (adolescentes) são fundamentais para que se entenda a necessidade de proteção (PRESERVATIVOS, vacinas, métodos ANTICONCEPCIONAIS). Moises Chencinski é médico pediatra e homeopata, autor dos livros "Homeopatia- mais simples do parece" e "Gerar e Nascer - um canto de amor e aconchego"

CRUZEIRO DO SUL-SP

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

SAÚDE

 

04/JULHO/09

Last Updated on Sunday, 03 July 2011 12:13

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