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DIÁRIO DO NORDESTE - CE |
Mulher
27/09/2010

Porque tantas mulheres ainda se submetem e sofrem tripla jornada de sofrimento e agressões
Quando se fala em violência contra a mulher, logo vem à mente os tão visíveis e brutais atos físicos, certo? Porém, além de tapas, pontapés e espancamentos, há outro tipo de crime que machuca na mesma proporção que a agressão física e afeta diretamente a saúde: a violência psicológica.
Caracterizado sobretudo por agressões verbais, esse tipo de violência silenciosa representou este ano 62,79% das ameaças feitas junto ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, em Fortaleza. Em 2009, no mesmo período, o índice foi de 59,09%.
A violência mental sofrida pelas mulheres é tamanha, reconhece a juíza titular do Juizado da Mulher em Fortaleza, Rosa Mendonça, que muitas vezes elas são submetidas a uma tripla jornada de sofrimento, já que lidam com agressões de patrões, marido e filhos.
"É tão sutil, que a violência psicológica passa a fazer parte do cotidiano, chegando a ser confundida por algumas mulheres, e até pelos homens, como brutalidade, ignorância, estresse e estupidez", esclarece Rosa Mendonça. Isso porque, por definição, violência psicológica "é qualquer conduta que cause à mulher dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento".
Ou, ainda, "que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação", segundo estabelecido pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (1994) e pela a Lei Maria da Penha (1996).
Deixando marcas
Segundo a assistente social, pesquisadora e livre docente da Universidade Estadual do Ceará, Maria do Socorro Osterne, "a violência psicológica pode se manifestar nas relações de gênero (entre namorados, noivos, amantes, conjugues ou qualquer parceiro íntimo), mas também entre pais e filhas, irmãos e irmãs, parentes, vizinhos". Mas não se limita às relações familiares, de "amizades" e vizinhança. Ocorre, costumeiramente, no ambiente e nas relações de trabalho, na escola, na universidade, nos partidos políticos, enfim, é fenômeno transversal ao conjunto das relações sociais, esclarece.
Como enumeram a juíza e a assistente social, as agressões psicológicas se concretizam à medida que as mulheres, como muitas relatam ao Juizado da Mulher, são chamadas de: loucas, burras, histéricas, malas sem alça. Ou, então, são ridicularizadas pelo porte físico (gorda, magricela, pele e osso, relaxada, velha); criticadas em suas condutas como mães, amantes, profissionais; culpadas por todos os problemas que acontecem em casa e com os filhos; são desvalorizadas pelos trabalhos domésticos; ameaçadas de maus tratos; monitoradas com os horários; são proibidas de usar determinados tipos de roupas e, ainda, os companheiros fazem-nas se sentirem culpadas.
Com isso, explica Maria do Socorro Osterne, as relações interpessoais ficam seriamente comprometidas "à medida em que se constitui elemento inibidor da liberdade, de manifestação e do direito de oportunidades e vida plena, além de uma sociabilidade respaldada na ética da convivência".
A partir dessas situações, existem consequências inevitáveis à saúde e ao bem estar da mulher e de toda a família. Como exemplifica a juíza Rosa Mendonça, "a violência não deixa marcas no corpo e não há exame de corpo de delito para atestar sua materialidade".
Porém, como listam as especialistas, as mulheres submetidas à violência psicológica apresentam quadros recorrentes de dores de cabeça, obesidade ou perda de peso acelerada, problemas gástricos e digestivos, ginecológicos, cardíacos, fibromialgia, hipertensão arterial, entre outros. "O temor provocado pela ameaça causa perturbação na mente, na liberdade psíquica, impedindo completamente a livre determinação da vontade", conclui a juíza titular do Juizado da Mulher em Fortaleza.
Sintomas frequentes
Uso e abuso de substâncias psicoativas e álcool;
Desordens na alimentação;
Desinteresse pela vida;
Atitude de isolamento;
Irritabilidade;
Dificuldade de
Concentração;
Facilidade para chorar;
Distúrbios do sono;
Ansiedade;
Depressão;
Sentimento de culpa;
Síndrome do pânico.
Fique por dentro
Saúde em risco
A organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a violência contra a mulher como problema de saúde pública, afinal, foi levado em consideração as consequências econômicas e sociais, que interferem até no Produto Interno Bruto (PIB).
No tocante às consequências, a juíza Rosa Mendonça lembra que o Banco Mundial (BM) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) constataram que: um em cada cinco dias de falta no trabalho, em todo o mundo, tem como causa a violência domiciliar sofrida pelas mulheres; e que, a cada cinco anos, uma mulher que vive nessas condições perde um ano de vida saudável.
O estudo indica que as mulheres, com idades entre 15 e 44 anos, perdem mais anos de vida saudável, em função do estupro e da violência doméstica do que em decorrência de câncer de mama, de colo do útero e problemas relacionados ao parto, doenças coronarianas, respiratórias, AIDS, acidentes no trânsito ou a guerra.
JANINE MAIA
REPÓRTER
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AIDS | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | CONTRACEPTIVOS | ANTIRRETROVIRAIS 26/09/2010
A procura pela realização do teste anti-AIDS, que faz o diagnóstico da doença, ainda precisa avançar muito em Rondonópolis A procura pela realização do teste anti-AIDS, que faz o diagnóstico da doença, ainda precisa avançar muito em Rondonópolis Apesar da redução do número de mortes e do aumento do tempo de sobrevida, a AIDS continua merecendo atenção e prevenção. Ao longo das duas últimas décadas, a doença sem cura aumentou significativamente sua incidência sobre mulheres. No começo da epidemia, para cada mulher infectada havia 25 homens infectados em Rondonópolis. Hoje, de forma geral, para cada dois homens infectados com o vírus, existe uma mulher infectada. De forma assustadora, entre as mulheres jovens, essa proporção já se inverteu na cidade. Para cada homem jovem infectado com o vírus, já existe, praticamente, duas mulheres jovens infectadas.
Nesse quadro, a gerente do Programa de DST/AIDS e Hepatites Virais do Departamento de Ações Programáticas do Município de Rondonópolis, Cristina Pereira da Silva, externa que uma das principais preocupações das políticas de saúde pública está justamente nas mulheres jovens, que se figuram atualmente como uma população em situação de grande vulnerabilidade. No começo da epidemia a população em situação de vulnerabilidade era composta, principalmente, por homossexuais do sexo masculino e profissionais do sexo. Analisando o avanço do vírus sobre o público feminino, de forma geral, a gerente argumenta que uma das explicações para essa inversão na proporção de infectados está no fato de a mulher procurar mais as unidades de saúde e buscar conhecer seu status sorológico. Na idade fértil, a saúde pública oferece ainda o teste anti-HIV no pré-natal, facilitando o diagnóstico. Outro fator a ser considerado, segundo Cristina, está ligado à dificuldade da mulher negociar o uso do PRESERVATIVO com o parceiro, fazendo com que haja um considerável índice de contaminação no público feminino. Apesar dessa preocupação, alguns números evidenciam que tem havido um maior uso do PRESERVATIVO de forma geral. Mesmo assim, esse uso não alcança ainda um índice ideal. Nas relações sexuais, Cristina Pereira reforça que a única forma de prevenção continua sendo o uso dos PRESERVATIVOS. Nesse contexto, observa que o número de PRESERVATIVOS masculinos distribuídos na rede pública tem aumentado significativamente. Há três anos, eram distribuídos 250 mil PRESERVATIVOS por ano e agora são quase 600 mil unidades por ano, sem considerar a distribuição em grandes eventos, a exemplo do carnaval. Entre os desafios da doença atualmente permanecem o estímulo ao uso dos PRESERVATIVOS, além do incentivo ao conhecimento do status sorológico da população sexualmente ativa, por meio do teste anti-HIV. "De forma geral, as pessoas têm acesso à informação, mas só conhecimento não é o suficiente. É preciso mudança de atitude", assegura Cristina Pereira, em relação à conscientização do uso dos PRESERVATIVOS. Outros desafios da rede pública estão concentrados em sensibilizar a pessoa com AIDS quanto à adesão à medicação ANTIRETROVIRAL (coquetel), assim como reduzir o preconceito e a discriminação - ainda muito grande (veja mais nesta página). "Os portadores do vírus têm uma grande dificuldade de serem aceitos socialmente", observa.
A TRIBUNA - MT | GERAL |
Last Updated on Monday, 27 September 2010 07:06
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Mulher | AIDS A política nacional de combate à violência contra as mulheres encontra problemas financeiros para atender as demandas da sociedade. Apenas neste ano, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República recebeu mais de 700 projetos de unidades da Federação, municípios e sociedade civil voltados à implementação de ações nessa área, que somam R$ 99 milhões de investimentos. No entanto, em 2011, a verba da Subsecretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres está reduzida a R$ 36 milhões - dos quais apenas 22% foram gastos, segundo a assessoria da pasta. A diretora da subsecretaria, Ane Cruz, afirmou que as propostas ainda estão sendo analisadas para a definição de prioridades. Nos últimos dois dias, ela esteve reunida em Brasília com 26 gestoras da área nos estados. "Esse encontro foi fundamental para avaliarmos a situação de cada estado e cruzar os dados com os projetos recebidos", afirmou Cruz. Segundo a diretora, a grande quantidade de projetos recebidos para a área é considerada positiva. "Os projetos significam que municípios e estados estão engajados com a causa. Estamos trabalhando na garantia do programa e já conversamos com o Ministério do Planejamento para aumentar a nossa verba", afirmou. De 2007 - quando o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher foi lançado - a 2010, a SPM investiu R$ 73,8 milhões na construção e reforma de serviços especializados da rede de atendimento a mulher, como casas abrigo, casas de passagem, defensorias e delegacias. O fortalecimento da rede de atendimento e a implementação da Lei Maria da Penha são os eixos de atuação onde foram observados os principais resultados do pacto nacional. Outros três eixos integram o programa: proteção dos direitos sexuais e reprodutivos e enfrentamento da feminização da AIDS; combate à exploração sexual da mulher e dos adolescentes e ao tráfico de mulheres; e promoção dos direitos humanos das mulheres em situação de prisão. As metas do pacto foram criadas para serem implementadas entre 2008 e 2011. Segundo Ane Cruz, um quinto eixo será adicionado à segunda fase do pacto, com duração de 2012 a 2015: a garantia da autonomia das mulheres em situação de violência e a ampliação de seus direitos. A diretora explicou ainda que mulheres ainda são vítimas da violência em função da dependência financeira em relação aos companheiros. "Muitas dão um depoimento de que não se separaram dos maridos que as violentam porque são eles que mantêm a família. Mas vamos buscar a autonomia dessas mulheres. Essa é uma orientação da própria política de enfrentamento da miséria e da pobreza por parte da presidente Dilma", afirmou Cruz. Mulheres vítimas de violência terão prioridade em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Em relação à aplicação da Lei Maria da Penha, a diretora disse que ainda não existem metodologias exatas para se mensurar a aplicação da legislação. Ela destacou, no entanto, o aumento nos registros da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) - de janeiro a junho de 2010, foram feitos 343.063 atendimentos, um aumento de 112% em relação ao mesmo período do ano passado. Os crimes de ameaça e os de lesão corporal somam 70% dos registros do Ligue 180. CORREIO BRAZILIENSE - DF | POLÍTICA
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Last Updated on Wednesday, 13 July 2011 13:43
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Perfil de contaminados pela AIDS mudou; antes havia nove homens contaminados para cada mulher, agora há uma mulher para cada homem São Paulo - O dado é alarmante: 67% das quase 2 mil mulheres entrevistadas não pedem para o parceiro usar PRESERVATIVO em todas as relações sexuais. Este número foi divulgado na semana passada e faz parte do estudo realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com a Bayer. ""Apesar de 88% conversarem sobre prevenção de gravidez com seus parceiros, elas estão muito vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV"", ressalta a ginecologista Arícia Galvão Giribela, coordenadora da pesquisa e membro da Comissão de Anticoncepção da Febrasgo. ""O problema está entre adolescentes e adultas também."" A proteção feminina, lembra a médica, deve ser redobrada, uma vez que o perfil de contaminados pela AIDS mudou ao longo dos anos: se antes havia 9 homens contaminados para 1 mulher, agora empatou e hoje há 1 homem para 1 mulher. A proporção de infectados mudou, mas, ao que tudo indica, a mentalidade feminina não. Segundo a médica, em grande parte, o preconceito impede que as mulheres exijam que seus companheiros usem PRESERVATIVO. ""Elas não querem desagradar a seus parceiros e têm medo de que a exigência da CAMISINHA seja associada à promiscuidade"", avalia Arícia. Outra explicação está relacionada à maneira muito particular de as mulheres lidarem com a paixão. Românticas por natureza, muitas não querem ""quebrar o clima"" na hora H - o que, para a ginecologista, é inaceitável. ""Infelizmente, se usa a desculpa de que o PRESERVATIVO "estraga o prazer", porque este seria o momento de questionar o passado sexual de cada um."" De acordo com Arícia, as mulheres sabem da necessidade de prevenção, mas não conseguem colocá-la em prática. Mais distante ainda fica o conceito da ""dupla proteção"" - assim chamada pela Organização Mundial de Saúde -, que é a associação de CONTRACEPTIVOS de alta eficácia, como os hormonais e os DIUs, com o PRESERVATIVO.
FOLHA DE LONDRINA - PR | CIDADES |
Last Updated on Friday, 15 July 2011 06:22
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