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Moradores de Rua

A infecção pelo VIH aumentou dramaticamente entre os "jovens de rua" na Europa de Leste

Mara Kardas-Nelson

De acordo com médicos, activistas e representantes da UNICEF que compareceram esta semana na XVIII Conferência Internacional sobre SIDA em Viena, até 40% dos jovens que vivem na rua em algumas zonas da Europa de Leste está infectado pelo VIH. Anteriormente, os dados sobre o VIH neste grupo eram desconhecidos, mas os estudos sobre a incidência do VIH realizados durante os últimos cinco anos revelaram uma epidemia crescente.

Um relatório apresentado na segunda-feira pela UNICEF (Blame and Banishment: The underground HIV epidemic affecting children in Eastern Europe and Central Asia) é o primeiro deste género a salientar, de maneira abrangente, questões de saúde, sociais e económicas que engrossam o número de jovens que vivem na rua e as taxas de infecções pelo VIH nesta população. Estudos realizados pelo Ministério da Saúde da Ucrânia, pelo HealthRight International e pelo Instituto Pasteur de São Petersburgo observaram a incidência pelo VIH em grupos de jovens sem abrigo na Ucrânia e na Rússia. Estima-se que um milhão de jovens vivem na rua na Rússia e 31 000 são recolhidos anualmente pela policia na Ucrânia (muitos outros vivem em albergues ou instituições ou com famílias vulneráveis).

Temas como a utilização de drogas, o trabalho sexual, ser sem abrigo, o fraco sistema de saúde e a situação das famílias pobres são aspectos centrais no aumento da infecção pelo VIH neste grupo. De acordo com um questionário do Instituto Pasteur em 2005, metade dos jovens sem abrigo eram utilizadores de drogas injectadas (UDIs). O questionário deste Instituto em 2009 revelou que 78% dos infectados pelo VIH eram UDIs. Muitos tinham também realizado trabalho sexual e/ou praticado sexo para sobreviver. Embora tradicionalmente os rapazes tenham tido as maiores taxas de infecção (o número de rapazes sem abrigo é maior que o de raparigas), as transmissões heterossexuais estão a aumentar significativamente. Ambos os questionários de 2005 e 2009 revelaram níveis de incidência de VIH a rondar os 30% entre os jovens sem abrigo de São Petersburgo.

A infecção pelo VIH gera, entre os jovens de rua, uma crise que reflecte o crescente número de infecções em toda a Europa de Leste. Actualmente, nesta região está a acontecer a mais rápida taxa de novas infecções que já se viu em qualquer lugar do mundo, com partes da Rússia a revelar um aumento de 700% desde 2006 e a Ucrânia é o lugar com as taxas mais elevadas de toda a Europa.

Os indicadores sociais, económicos e de saúde que flagelam a população geral do país são exacerbados nos jovens sem abrigo. A directora da HealthRight Ucrânia, Halyna Skipalska, indica que a situação das famílias pobres é fundamental para perceber a infecção pelo VIH entre os jovens sem abrigo. Mencionando o que ela chama de “a crise da família”, Skipalska referiu que a degradação da unidade familiar – por causa do consumo excessivo de álcool e outras substâncias, da pobreza e do divórcio – leva muitos jovens a morar na rua.

Muitos jovens optam por deixar as suas residências familiares mesmo não sendo tecnicamente órfãos. Apesar de só 15% dos jovens que participaram no questionário da HealthRight Ucrânia não terem família, muitos outros passaram um ou dois dias na rua duas ou três vezes por ano, passando o resto do tempo nas residências familiares ou em programas do governo. Roman Yorick da HealthRight Rússia apresentou estatísticas similares, em que só 13,4% dos participantes na estudo foram classificados como órfãos, mas a maioria vivia na rua duas ou três vezes por semana.

Os profissionais de saúde e das organizações que trabalham com jovens sem abrigo acham que há muitos desafios neste trabalho: estes jovens são com frequência uma população escondida, móvel e sazonal, estão criminalizados e apresentam transtornos psicossociais, segundo Skipalska. Para muitos jovens sem abrigo é difícil ter acesso ao sistema de saúde e a outros serviços devido à sua situação de marginalidade, que se perpetua se forem seropositivos e que se acompanha de receio devido ao duro tratamento recebido por parte da polícia e por outras figuras de autoridade. “O estigma generalizado e a exclusão social estão no centro da epidemia”, disse o director executivo da UNICEF, Anthony Lake. A falta de apoio dos serviços de saúde aos jovens sem abrigo e àqueles que vivem com VIH é o reflexo “do preconceito e do medo das grandes sociedades”, afirmou.

Tatiana Smolskaya, do Instituto Pasteur sublinha que, com frequência é muito mais difícil trabalhar com jovens UDIs sem abrigo do que com utilizadores de droga adultos, dada a idade, o baixo nível de escolaridade, as desvantagens sociais e a sua condição de sem abrigo. Os activistas apontam que os programas de redução de riscos na Rússia e na Ucrânia são pobres e especialmente inacessíveis aos jovens.

A ausência de uma definição legal para “jovem” também é fundamental para que muitas pessoas permaneçam num limbo: tecnicamente não são considerados nem crianças nem adultos, e por isso não podem ter acesso aos serviços dirigidos ao seu grupo.

As organizações estão a começar a utilizar abordagens inovadoras para combater a infecção pelo VIH nesta população. O HealthRight Rússia implementou um programa de educação entre pares chamado STEPS, com jovens que voluntariamente assistem as aulas de educação entre pares centradas na saúde sexual, redução de riscos, apoio social e prevenção do VIH. Aos participantes no questionário de incidência do HealthRight Ucrânia foi-lhes oferecido acesso aos serviços, à terapêutica para o VIH, a programas de reabilitação e a terapêutica de substituição: mais de 68% receberam um apoio abrangente e acesso a serviços sociais, médicos e psicológicos.

Independentemente dos muitos desafios que surgem quando se trabalha com jovens sem abrigo, Skipalska aponta que “pode-se fazer chegar aos jovens de rua a prevenção contra o VIH, os testes e os serviços de apoio”, especialmente com abordagens baseadas na comunidade. Tanto a UNICEF como a ONUSIDA apelam para que este tema “se torne central na acção mundial”, segundo Michel Sidibé, Director-executivo da ONUSIDA.

Referências

A informação sobre os estudos apresentados não está de momento disponível. Esperamos incluir em breve a informação completa.

Nizova, Nataliia. Directora do Ukrainian AIDS Centre, Ministério da Saúde da Ucrânia

 

 

Skipalska, Halyna. Directora nacional para a Ucrânia, HealthRight International.

Smolskaya, Tatiana. Directora, North-West Regional AIDS Centre, Instituto Pasteur São Petersburgo.

UNICEF Blame and banishment: The underground HIV epidemic affecting children in Eastern Europe and Central Asia. 2010.

Yorick, Roman. Director Regional para Rússia,  HealthRight International.

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Last Updated on Tuesday, 10 August 2010 07:24

Hits: 3976

A infecção pelo VIH aumentou dramaticamente entre os "jovens de rua" na Europa de Leste

Mara Kardas-Nelson

De acordo com médicos, activistas e representantes da UNICEF que compareceram esta semana na XVIII Conferência Internacional sobre SIDA em Viena, até 40% dos jovens que vivem na rua em algumas zonas da Europa de Leste está infectado pelo VIH. Anteriormente, os dados sobre o VIH neste grupo eram desconhecidos, mas os estudos sobre a incidência do VIH realizados durante os últimos cinco anos revelaram uma epidemia crescente.

Um relatório apresentado na segunda-feira pela UNICEF (Blame and Banishment: The underground HIV epidemic affecting children in Eastern Europe and Central Asia) é o primeiro deste género a salientar, de maneira abrangente, questões de saúde, sociais e económicas que engrossam o número de jovens que vivem na rua e as taxas de infecções pelo VIH nesta população. Estudos realizados pelo Ministério da Saúde da Ucrânia, pelo HealthRight International e pelo Instituto Pasteur de São Petersburgo observaram a incidência pelo VIH em grupos de jovens sem abrigo na Ucrânia e na Rússia. Estima-se que um milhão de jovens vivem na rua na Rússia e 31 000 são recolhidos anualmente pela policia na Ucrânia (muitos outros vivem em albergues ou instituições ou com famílias vulneráveis).

Temas como a utilização de drogas, o trabalho sexual, ser sem abrigo, o fraco sistema de saúde e a situação das famílias pobres são aspectos centrais no aumento da infecção pelo VIH neste grupo. De acordo com um questionário do Instituto Pasteur em 2005, metade dos jovens sem abrigo eram utilizadores de drogas injectadas (UDIs). O questionário deste Instituto em 2009 revelou que 78% dos infectados pelo VIH eram UDIs. Muitos tinham também realizado trabalho sexual e/ou praticado sexo para sobreviver. Embora tradicionalmente os rapazes tenham tido as maiores taxas de infecção (o número de rapazes sem abrigo é maior que o de raparigas), as transmissões heterossexuais estão a aumentar significativamente. Ambos os questionários de 2005 e 2009 revelaram níveis de incidência de VIH a rondar os 30% entre os jovens sem abrigo de São Petersburgo.

A infecção pelo VIH gera, entre os jovens de rua, uma crise que reflecte o crescente número de infecções em toda a Europa de Leste. Actualmente, nesta região está a acontecer a mais rápida taxa de novas infecções que já se viu em qualquer lugar do mundo, com partes da Rússia a revelar um aumento de 700% desde 2006 e a Ucrânia é o lugar com as taxas mais elevadas de toda a Europa.

Os indicadores sociais, económicos e de saúde que flagelam a população geral do país são exacerbados nos jovens sem abrigo. A directora da HealthRight Ucrânia, Halyna Skipalska, indica que a situação das famílias pobres é fundamental para perceber a infecção pelo VIH entre os jovens sem abrigo. Mencionando o que ela chama de “a crise da família”, Skipalska referiu que a degradação da unidade familiar – por causa do consumo excessivo de álcool e outras substâncias, da pobreza e do divórcio – leva muitos jovens a morar na rua.

Muitos jovens optam por deixar as suas residências familiares mesmo não sendo tecnicamente órfãos. Apesar de só 15% dos jovens que participaram no questionário da HealthRight Ucrânia não terem família, muitos outros passaram um ou dois dias na rua duas ou três vezes por ano, passando o resto do tempo nas residências familiares ou em programas do governo. Roman Yorick da HealthRight Rússia apresentou estatísticas similares, em que só 13,4% dos participantes na estudo foram classificados como órfãos, mas a maioria vivia na rua duas ou três vezes por semana.

Os profissionais de saúde e das organizações que trabalham com jovens sem abrigo acham que há muitos desafios neste trabalho: estes jovens são com frequência uma população escondida, móvel e sazonal, estão criminalizados e apresentam transtornos psicossociais, segundo Skipalska. Para muitos jovens sem abrigo é difícil ter acesso ao sistema de saúde e a outros serviços devido à sua situação de marginalidade, que se perpetua se forem seropositivos e que se acompanha de receio devido ao duro tratamento recebido por parte da polícia e por outras figuras de autoridade. “O estigma generalizado e a exclusão social estão no centro da epidemia”, disse o director executivo da UNICEF, Anthony Lake. A falta de apoio dos serviços de saúde aos jovens sem abrigo e àqueles que vivem com VIH é o reflexo “do preconceito e do medo das grandes sociedades”, afirmou.

Tatiana Smolskaya, do Instituto Pasteur sublinha que, com frequência é muito mais difícil trabalhar com jovens UDIs sem abrigo do que com utilizadores de droga adultos, dada a idade, o baixo nível de escolaridade, as desvantagens sociais e a sua condição de sem abrigo. Os activistas apontam que os programas de redução de riscos na Rússia e na Ucrânia são pobres e especialmente inacessíveis aos jovens.

A ausência de uma definição legal para “jovem” também é fundamental para que muitas pessoas permaneçam num limbo: tecnicamente não são considerados nem crianças nem adultos, e por isso não podem ter acesso aos serviços dirigidos ao seu grupo.

As organizações estão a começar a utilizar abordagens inovadoras para combater a infecção pelo VIH nesta população. O HealthRight Rússia implementou um programa de educação entre pares chamado STEPS, com jovens que voluntariamente assistem as aulas de educação entre pares centradas na saúde sexual, redução de riscos, apoio social e prevenção do VIH. Aos participantes no questionário de incidência do HealthRight Ucrânia foi-lhes oferecido acesso aos serviços, à terapêutica para o VIH, a programas de reabilitação e a terapêutica de substituição: mais de 68% receberam um apoio abrangente e acesso a serviços sociais, médicos e psicológicos.

Independentemente dos muitos desafios que surgem quando se trabalha com jovens sem abrigo, Skipalska aponta que “pode-se fazer chegar aos jovens de rua a prevenção contra o VIH, os testes e os serviços de apoio”, especialmente com abordagens baseadas na comunidade. Tanto a UNICEF como a ONUSIDA apelam para que este tema “se torne central na acção mundial”, segundo Michel Sidibé, Director-executivo da ONUSIDA.

Referências

A informação sobre os estudos apresentados não está de momento disponível. Esperamos incluir em breve a informação completa.

Nizova, Nataliia. Directora do Ukrainian AIDS Centre, Ministério da Saúde da Ucrânia

Skipalska, Halyna. Directora nacional para a Ucrânia, HealthRight International.

Smolskaya, Tatiana. Directora, North-West Regional AIDS Centre, Instituto Pasteur São Petersburgo.

UNICEF Blame and banishment: The underground HIV epidemic affecting children in Eastern Europe and Central Asia. 2010.

Yorick, Roman. Director Regional para Rússia,  HealthRight International.

Last Updated on Thursday, 12 August 2010 06:28

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Ativistas de Nova York simulam acampamento em Viena para alertar sobre a vulnerabildade da população de rua ao HIV e à AIDS

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS | NOTÍCIAS

AIDS | CAMISINHA | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | ANTIRRETROVIRAIS

21/07/2010

 

O artesão Wayde Starks, de Nova York (EUA), vive com AIDS há cerca de 30 anos. Hoje, aos 50 anos de idade, ele tem moradia e condicões de seguir o tratamento. Mas, nem sempre foi assim. Logo que recebeu o diagnóstico, Wayde desenvolveu doenças oportunistas que o impediram de trabalhar. Perdeu o emprego de motorista, passou a viver na rua, usou drogas e deixou de tomar ANTIRRETROVIRAIS. "Ter uma casa é condição básica para a melhoria da saúde", afirmou. Para enfatizar esse alerta, ele e outros integrantes da ONG Trabalhando por Moradia simularam um acampamento na XVIII Conferência Internacional de AIDS. O encontro mundial está sendo realizado em Viena até sexta-feira.

"Quando minha mãe morreu percebi que eu poderia ser o próximo. Foi então que procurei ajuda em um serviço de assistência social de Nova York", contou Wayde.

Porém, de acordo com o presidente da ONG, Charles King, a cidade não oferece condicões de moradia e assistência para todos que precisam. "Atualmente 8 mil novaiorquinos com HIV não têm onde morar", afirmou.

Charles explicou que a pessoa que vive com AIDS precisa ter alimentacão equilibrada, armazenar medicamentos em locais adequados e ingeri-los em horários específicos. "Pessoas em condição de rua ou que moram em habitaões precárias não conseguem seguir essas recomendações. Além disso, os doentes deixam de pedir ajuda aos companheiros. Querem esconder o diagnóstico para evitar discriminação Nesses ambientes também existe preconceito", contou.

O presidente da entidade declarou ainda que viver na rua aumenta a vulnerabilidade ao HIV. "Não ter moradia significa, muitas vezes, usar o sexo como moeda de troca por alimento e segurança. CAMISINHA é artigo raro."

Conheça a ONG

A ONG Trabalhabndo por Moradia foi fundada há 20 anos em Nova York. Promove assistência social, capacitações profissionais, exames de HIV, orientações sobre o vírus e a doença, além de outras ações voltadas a pessoas que vivem com HIV/AIDS e não possuem moradia. Para mais informacções, acesse www.nationalaidshousing.org ou www.housingworks.org.

Fábio Serrato, de Viena

A Agência de Notícias da AIDS cobre a XVIII Conferência Internacional de AIDS com apoio do Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo e do laboratório MSD

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Last Updated on Thursday, 22 July 2010 17:33

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Soropositivo.Org agosto de 1º de Agosto de 2000 a 2012. Este site é mantido por uma só pessoa, que gastava, em média, US$ 400,00 por mês para manter este site on line, até que a HOSTDIME BRASIL, dando um exemplo de responsabilidade social me garantiu um servidor dedicado ao soropositivo.org pro três meses. Não sei o que acontecerá depois. Mas confio que eles não me faltarão. Mas eu trabalho 12 horas por dia na frente deste micro para manter este site operante e e minhas fontes e renda são pequenas consultorias em TI para pequenos organismos não governamentais... Peço, que você considere a possibilidade de uma doação de qualquer valor, tendo em conta a utilidade que este site pode ter para você e dezenas de outras pessoas. Todo o material deste site pode ser republicado desde que a fonte original seja declarada

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