Category: Aspectos Psicológicos e psiquiátricos Created on Tuesday, 02 June 2009 16:46 Last Updated on Tuesday, 02 June 2009 16:46 Published on Tuesday, 02 June 2009 16:46 Hits: 6899
Falar sobre a morte, seja a do outro ou a de si próprio, não é tarefa fácil na atualidade, pois vivermos como se fôssemos imunes à condição de mortais, em um pacto coletivo de silêncio sobre a morte, talvez na tentativa de mantê-la afastada, entre os mortos, e não chamá-la aos vivos. Mas, de repente, a morte se impõe, torna-se presente através do adoecimento e de doenças sem cura e obriga o seu sujeito a nomeá-la. Impõe-se também à família do doente, a seu médico e demais profissionais que o acompanham. No entanto, é o sujeito que vivencia seu morrer, a finitude de sua existência, que pode dizer-nos como e quando pode falar e ouvir falar sobre sua morte.
Abordar a morte com o paciente de forma que possibilite escuta e compreensão dos seus sentimentos, exige que o profissional esteja capacitado a ouvir sobre a condição de mortal do ser humano, sem excluí-lo e, portanto, remetendo - se também à sua mortalidade.
A pessoa com AIDS tem seu sofrimento intensificado pelo temor de como se dará o seu morrer. Nesse sentido, cada um, de forma diferente, antecipa em suas fantasias que doenças terá e o quanto será sua dor física e emocional decorrentes destas, ou seja, a vulnerabilidade que a AIDS, em especial, provoca.
É importante, portanto, estar atento às necessidades e possibilidades do paciente para falar sobre o assunto, respondendo às questões levantadas por ele, pois o paciente sinaliza ao profissional o que lhe é possível e em que momento. Poderá ainda, repetir inúmeras perguntas sobre seu estado de saúde/doença, e estas devem ser novamente respondidas. Outros podem não fazer perguntas, agir como se não estivesse acontecendo com eles, não querendo saber ou mesmo não entendendo o que lhe está sendo dito, o que pode indicar não só dificuldades de compreensão mas também um ausentar-se de cena, como uma forma de agüentar e lidar com seu morrer e com sua morte. Faz-se necessária uma avaliação psicológica para que se possa entender e discriminar melhor o que está acontecendo.
Ao falar com o paciente sobre sua morte deve-se ressaltar as (im)possibilidades de tratamentos existentes, assim como dividir a responsabilidade com o paciente, a família e/ou alguém delegado pelo paciente, nas decisões das terapêuticas e procedimentos adequados nas diferentes fases de evolução, principalmente na fase avançada da doença.