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São necessários rastreios mais intensivos para a TB nos doentes seropositivos da África do Sul

Michael Carter

Investigadores da África do Sul reportam, na 1ª edição de Outubro do jornal Clinical Infectious Diseases, que muitos casos de tuberculose (TB) em doentes que iniciam a terapêutica para o VIH não serão detectados, se o rastreio da doença for baseado nas linhas de orientação de 2006 da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os investigadores descobriram que 19% dos doentes não foram diagnosticados para a TB. Aplicando as actuais linhas de orientação da OMS para o rastreio apenas metade destes doentes teria sido diagnosticado.

No entanto, uma combinação de testes de rastreio que inclui a verificação de outros sintomas da infecção (febre, perda de peso, suores nocturnos, dispneia e dores no peito), raio-X e exame bacteriológico da expectoração pode aumentar a taxa de detecção para quase 100%.

“Deparamo-nos com um problema gravíssimo de tuberculose”, escrevem os investigadores.

Na África, a TB é a causa principal de doença e de morte entre os doentes com VIH.

As actuais linhas de orientação da OMS recomendam, que os doentes seropositivos com tosse persistente façam um esfregaço da expectoração para o bacilo álcool-ácido resistente para testar a presença da TB. A OMS está a desenvolver novas linhas de orientação para tornar mais intensiva a detecção da TB.

No entanto, muitos doentes com VIH têm um esfregaço de expectoração negativo para a TB. Os investigadores hipotisaram, então, que seja necessária uma monitorização mais intensa e conceberam um estudo que envolveu doentes que estavam prestes a iniciar o tratamento para o VIH em Durban, África do Sul.

Para o estudo foram recrutados, entre Maio de 2007 e Maio de 2008, um total de 1 035 doentes.

Estes doentes tinham depressão imunológica grave e a média da contagem das células CD4 foi apenas de 100 células/mm3.

No início do estudo, um total de 210 (20%) doentes já estava sob terapêutica para a TB Estes doentes foram excluídos da análise ulterior e permaneceram no estudo 825 doentes.

Um total de 158 (19%) destes doentes tinha evidência, no exame bacteriológico, de TB pulmonar activa não diagnosticada anteriormente.

Se os investigadores baseassem o diagnóstico para a TB apenas na tosse persistente, somente 52% destas infecções teria sido detectada.

A proporção dos doentes com tosse persistente que tinham TB foi de 25%.

Usando outros sintomas da TB (excluindo a tosse), os investigadores teriam sido capazes de detectar 72% dos casos. A especificidade destes sintomas foi de 44%.

Dos 158 doentes com exame da expectoração positivo para a TB, apenas 14 tiveram um esfregaço positivo para o bacilo álcool-ácido resistente. Isto significou que apenas 9% dos casos de TB teria sido detectado, se os investigadores baseassem o diagnóstico nesta técnica, dada a frequência muito elevada de esfregaços negativos para a TB nas pessoas com VIH. No entanto, o rastreio para o bacilo álcool-ácido teve uma especificidade de 88%.

A maioria (83%) dos doentes com exame bacteriológico positivo para a TB tinha um raio-X de torax anormal. No entanto, os resultados anormais do raio-X torácico tinham apenas uma especificidade de 35% para a TB, indicando que se os médicos usassem apenas este método de diagnóstico para a TB, muitas pessoas sem TB seriam testadas ou tratadas desnecessariamente.

Os diagnósticos por PCR teriam sido capazes de detectar 50% dos casos da TB.

Os investigadores calcularam, que, combinando o rastreio da tosse e do bacilo álcool-ácido resistente, teriam conseguido diagnosticar 56% dos casos de TB no seu estudo.

No entanto, os investigadores demonstraram que verificando uma gama mais vasta de sintomas e não apenas a tosse, o raio-X e o teste do bacilo álcool-ácido resistente poderiam chegar a detectar 93% dos casos de TB. Acrescentando um rastreio com a PCR a taxa de detecção subiu para 96%.

Rastreios mais intensivos seriam comportáveis. Os investigadores calcularam que usando as linhas de orientação da OMS, o custo do diagnóstico de cada caso de TB foi de 240 dólares, aumentando para 300 usando métodos de rastreio mais intensivos. Portanto, o custo adicional para identificar todos os casos de TB (custo por caso diagnosticado para além da tosse) foi de 60 dólares por caso.

Os investigadores acreditam que o seu estudo teve implicações clínicas e “mostra a necessidade de baixar drasticamente o limiar do rastreio da tuberculose e melhorar a capacidade de rastreio e diagnóstico para as pessoas infectadas com o VIH, que vivem em regiões onde a tuberculose é endémica”.

Concluem, que “um rastreio exacto para a tuberculose com a microscopia e exame bacteriológico da expectoração, quando as pessoas procuram os cuidados de saúde deve ser considerado, independentemente dos sintomas, nas populações como as da África do Sul onde a tuberculose e o VIH são ambos comuns e mortais”.

Referência

Bassett IV et al. Intensive tuberculosis screening for HIV-infected patients starting antiretroviral therapy in Durban, South Africa. Clinical Infectious Diseases, 51: 823-29, 2010.

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