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Um alerta para o prazer

 Luciana Abade BRASÍLIA

 

Mais de dez milhões de brasileiros já tiveram algum sintoma de doenças sexualmente transmissíveis, conhecidas como DST. Entre eles, 6,6 milhões são homens e 3,7 milhões são mulheres. Corrimentos, feridas, bolhas e verrugas nos órgãos genitais são os sinais mais relatados. Enquanto 99% das mulheres que constataram algum sinal e procuraram tratamento recorreram a um médico, um em cada quatro homens procurou a farmácia para a automedicação. Os números são resultados da Pesquisa Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos divulgada ontem, em Brasília, pelo Ministério da Saúde. Foram ouvidas oito mil pessoas em todas as regiões.

 

 

do país, nas áreas urbanas e rurais.

 

 

A população masculina também é maioria entre os que relataram ter algum sinal de DST, mas não procuraram tratamento: 18%, contra 11,4% das mulheres na mesma situação. O quadro torna-se mais grave quando constatase que os homens têm 31,2% mais risco de ter algum sinal de DST porque fazem mais sexo e têm mais parceiras sexuais.

 

 

- Os homens não se cuidam - lamentou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. - Eles não buscam o sistema de saúde como deveriam.

 

 

Por trás disso estão questões culturais, medo de abrir sua sexualidade.

 

 

Aí se automedicam nos balcão das farmácias, evitando a queda na cadeia de transmissão.

 

 

Outro resultado preocupante da pesquisa diz respeito a baixa orientação no serviço de saúde para a busca de teste anti-HIV e SÍFILIS.

 

 

Apesar de estudos internacionais mostrarem que os problemas causados pelas DST podem aumentar em 18 vezes o risco de infecção pelo HIV, apenas 30,2% dos homens e 31,7% das mulheres entrevistadas afirmaram ter sido orientados a fazer o exame de HIV.

 

 

A percentagem é ainda menor para o teste de SÍFILIS. Apenas 24,3% dos homens e 22,5% das mulheres foram orientados nesse sentido. Na gestante, a SÍFILIS pode evoluir para a transmissão vertical se não houver tratamento conjunto da mãe e do parceiro, levando o recém-nascido à SÍFILIS congênita. O Brasil é signatário de um acordo internacional para a erradicação da SÍFILIS congênita.

 

 

- O profissional de saúde tem que estar mais atento quanto as orientações mais adequadas para o atendimento do paciente de DST - ressaltou a diretora do Departamento de DST e AIDS do ministério, Mariângela Simões, que destacou ainda a importância do portador de DST avisar a situação ao parceiro para romper a cadeia de transmissão da doença: - Muitas vezes uma gestante faz teste para SÍFILIS e dá positivo.

 

 

Ela é tratada e no final da gestação a SÍFILIS ainda está ativa porque ela teve dificuldade de falar para o parceiro que tem uma doença sexualmente transmissível.

 

 

Para evitar que o constrangimento seja um empecilho na quebra da cadeia de transmissão, o Ministério da Saúde disponibilizará no site da campanha Muito prazer, sexo sem DST, lançada ontem junto com a pesquisa, cartões virtuais para que o parceiro possa contar a descoberta da infecção sem necessidade de se identificar.

 

 

Mariângela garante que essa ferramenta já é adotada em outros países e tem obtido êxito. Principalmente nos Estados Unidos, onde aumentou a procura por testes de detecção de DST.

 

 

Recor tes Segundo a pesquisa, 9% dos homens jovens sexualmente ativos já tiveram algum sintoma de DST na vida e indivíduos com mais de dez parceiros sexuais têm 65% mais chance de ter DST.

 

 

Na Região Norte, 25% dos homens tiveram alguma DST. Seguida da Região Nordeste (19,2%), Sudeste (15,6%), Sul (14,7%) e Centro Oeste (12,9%). Entre as mulheres não há diferenças significativas.

 

 

Varia de 11,2% no Sul a 7% no Nordeste.

 

 

A escolaridade está diretamente relacionada à infecção. Quanto menor a escolaridade, maior a prevalência de DST na vida. Enquanto 9,3% dos entrevistados que apresentaram sintomas de DST cursaram até o oitavo ano do ensino fundamental, 17,3% dos que tiveram sinais estudaram apenas até o terceiro ano do ensino fundamental. Os homens que se autodenominaram negros relataram mais DST, 19%, contra 13,8% dos homens brancos.

 

 

Quanto menor a escolaridade, maior a chance de ser infectado por uma DST

 

 

"Os homens não se cuidam. Se automedicam nas farmácias"

 

José Gomes Temporão

 

ministro da Saúde

 

 

" O profissional de saúde tem que estar mais atento quanto às orientações"

 

Mariângela Simões

 

diretora do programa DST/AIDS do Ministério da Saúde

 

 

"25%

 

É a percentagem de homens na Região Norte com alguma DST"

 

 

"

 

"Estamos longe de ter um diagnóstico e tratamento de qualidade"

 

Mauro Romero Leal Passos

 

diretor da Sociedade Brasileira de DST

JORNAL DO BRASIL – RJ

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19/Agosto/09

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TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos


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Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”

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VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".

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