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Silenciosamente transmissíveis

 Mário Angelo Silva*

 

As infecções transmitidas em relações sexuais, embora passíveis de tratamento e cura, cresce assustadoramente no país, conforme dados recentes do Ministério da Saúde: cerca de 10 milhões de pessoas, homens(60%) e mulheres (40%) já tiveram alguma delas, em variados níveis de gravidade, e com diferentes taxas de (re)incidência.

 

 

Os meios de transmissão (relações sexuais sem PRESERVATIVOS) estão presentes no nosso cotidiano, nas nossas peculiaridades de relacionamento e interações com as pessoas, em diferentes situações e contextos, geralmente associadas ao prazer e à amorosidade, necessidades essenciais da natureza humana e social.

 

 

As chamadas "doenças sexualmente transmissíveis" fazem parte do repertório íntimo das pessoas das diferentes camadas sociais, dentro das diversas orientações e expressões da sexualidade. Tal intimidade e individualidade acabam tornando essas doenças invisíveis e de domínio pessoal restrito e privado.

 

 

O número de ocorrências pode ser bem maior, se levarmos em conta que esse assunto ainda é tabu para grande parte da população, e que a população em geral, particularmente os homens, não procuram atendimentos especializados na rede pública de saúde, havendo portanto uma sub-notificação de casos realmente ocorridos.

 

 

Os sinais e sintomas são para a maioria das pessoas, difusos e inexplicáveis, sob os mais diversos argumentos: "é apenas uma coceirinha"; "é apenas esquentamento"; "é apenas uma lesão obtida no momento da relação, um mal jeito..." Quando acontece corrimentos, lesões e inflamações, a maioria das pessoas procuram orientações , informações e indicações de tratamento nas farmácias privadas, junto aos balconistas, e/ou de familiares, amigos, companheiros e vizinhos.

 

 

A pesquisa revela outro dado interessante: As mulheres procuram mais os serviços públicos de saúde, devido principalmente as demandas da gravidez e acompanhamento neonatal e pediátrico.

 

 

Em termos de políticas públicas, a proposta de implementação de programas e projetos voltados para a atenção integral à saúde do homem, em gestação no Ministério de Saúde, parece uma boa iniciativa, que muito poderá contribuir para o enfrentamento das doenças sexualmente transmissíveis entre homens, mulheres e população em geral.

 

 

Para isso será necessário, como estratégias operacionais, a abertura de centros de saúde no período noturno, para consultas e exames; a disponibilização sistemática de PRESERVATIVOS masculinos e femininos; a realização de campanhas de prevenção e de informações sobre sinais e sintomas de DST.

 

 

As DST ficaram associadas e reféns do programa brasileiro de controle do HIV e AIDS, desempenhando papel coadjuvante. A presente pesquisa do Ministério da Saúde exige um olhar atento para as Doenças sexualmente transmissíveis (DST), tendo em vista seus efeitos e conseqüências concretas e atuais, para além das questões do HIV/AIDS.

 

 

É preciso torná-las visíveis, e cobrar do Estado ações e programas mais eficazes e resolutivos.

 

*PSICÓLOGO E PROFESSOR DA UNB

JORNAL DO BRASIL - RJ

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

TEMA DO DIA

 

19/Agosto/09

 

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