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Infecção crónica pelo vírus da hepatite C atenua o aumento das células CD4 após o início do tratamento anti-retroviral

Michael Carter
Published: 23 August 2010

A progressão da hepatite C dificulta a melhoria na contagem de células CD4 em doentes seropositivos sob terapêutica anti-retroviral, relatam investigadores canadianos na edição de 31 de Julho da AIDS.

 

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Os investigadores monitorizaram as alterações na contagem de células CD4 de doentes seropositivos que tinham anticorpos para o vírus da hepatite C. As descidas na contagem de células CD4 antes do início da terapêutica e as subidas nesta contagem após o início da TARc foram comparadas entre as pessoas que, espontaneamente, curaram a hepatite C e as que tinham infecção crónica devido a este vírus.

O desenvolvimento da hepatite C foi associado a uma perda ligeiramente superior na contagem de células CD4 antes do início do tratamento. Houve também uma clara evidência de que, nas pessoas com hepatite C crónica, a presença do VHC bloqueou a resposta das células CD4 à terapêutica anti-retroviral.

“A eliminação espontânea do VHC (vírus da Hepatite C) está associada a uma melhor taxa de recuperação de células CD4 quando a TARc é introduzida” comentam os investigadores, enfatizando “a solidez das suas conclusões”.

Os investigadores da Canadian Coinfection Cohort Study realizaram a sua investigação devido à incerteza sobre o impacto da co-infecção com hepatite C na progressão de doença causada pela infecção pelo VIH. Além disso, estavam preocupados com o facto de que investigações anteriores, onde foi explorada esta questão, pudessem ter sido limitadas devido ao facto do nível de anticorpos ter sido utilizado para definir a infecção pelo vírus da hepatite C. Uma percentagem significativa de doentes infectados com VHC ficou livre da infecção espontaneamente, levando os investigadores a concluir que os resultados de alguns estudos poderiam ser causadores de confusão, isto porque algumas pessoas no braço da hepatite C estavam, na verdade, livres da infecção.

A população estudada incluiu 271 doentes. Todos estavam infectados pelo VIH e todos tinham anticorpos para a Hepatite C.

Contudo, os investigadores dividiram os doentes em dois grupos. O primeiro incluiu 236 pessoas com infecção crónica pelo VHC (e consequentemente replicação do vírus) e o outro composto por aqueles que tinham eliminado espontaneamente o vírus.

A mudança na contagem de células CD4 destes dois grupos foi então comparada, antes e depois do início da terapêutica anti-retroviral.

Um total de 95 doentes, 25 dos quais tinham espontaneamente ficado livres da hepatite C eram naïves para o tratamento anti-retroviral quando foi efectuado o recrutamento para o estudo.

A contagem de células CD4 desceu uma média de 44 células/mm <sup>3</sup> por ano entre os doentes que tinham ficado livres do VHC e uma média de 84 células/mm3 por cada ano, naqueles em que mantinham replicação viral. No entanto, após o ajuste para o tempo de acompanhamento, a associação entre a infecção crónica pela hepatite C e a maior perda de células CD4 não foi significativa.

Foi disponibilizada informação sobre a subida na contagem de células CD4 depois do início da terapêutica anti-retroviral referente a 226 pessoas. Mais uma vez, 25 doentes ficaram livres da infecção pela hepatite C de modo espontâneo. A duração média de seguimento foi de 18 meses para aqueles com hepatite C crónica e 15 meses para aqueles que se curaram da infecção.

A subida da contagem média anual de células CD4 foi sete vezes mais elevada nos doentes que curaram a hepatite C do que nos que apresentava replicação viral (4 vs 24 células/mm3 p < 0,001).

A associação entre a cura espontânea do vírus da hepatite C e uma subida mais expressiva na contagem de células CD4, enquanto sob terapêutica anti-retroviral, manteve-se significativa após os investigares ajustarem os resultados tendo em conta potenciais factores de confusão.

Mais, os investigadores concluíram também que a brusca resposta das células CD4 observada nos doentes com infecção crónica pelo vírus da hepatite C não melhorou ao longo do tempo.

Limitar as análises aos doentes que iniciaram o tratamento do VIH pela primeira vez depois de ter entrado no estudo não afectou os resultados.

Contudo, quando os investigadores restringiram as suas análises aos doentes que tinham carga viral indetectável durante o seguimento, o impacto da infecção crónica pela hepatite C na recuperação da contagem de células CD4 foi atenuada. A contagem destas células continuou a aumentar mais lentamente naqueles cuja hepatite C continuava activa, mas a interacção entre a infecção crónica e o ganho de células CD4 deixou de ser estatisticamente significativa.

“Concluímos que a progressão de células CD4 é negativamente afectada pela presença da replicação viral pelo VHC em pessoas co-infectadas sob terapêutica anti-retroviral, escrevem os investigadores. Acrescentam, “compreender os mecanismos pelos quais esta diferença ocorre e investigar o impacto do tratamento do VHC na progressão da contagem das células CD4 deve ser prioritário.”

Os autores do estudo concluem, “quando bem sucedido o tratamento do VHC pode ter um importante papel não apenas na melhoria dos resultados relacionados com este vírus, mas também no prognóstico relacionado com a infecção pelo VIH.

Referência

Potter M et al. Impact of hepatitis C viral replication on CD4 T-lymphocyte progression in HIV – HCV coinfection before and after antiretroviral therapy. AIDS 24: 1857-65, 2010.

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