Category: Vida com HIV Created on Monday, 11 July 2011 03:18 Last Updated on Monday, 11 July 2011 20:15 Published on Monday, 11 July 2011 03:18 Written by Republicado Por Claudio Santos de Souza Hits: 2826

Por LISA LEFF, Associated Press
Sabado, 11 de Junho, 2011
Tendo sobrevivido aos primeiros e piores anos da epidemia de Aids, quando ele perdeu para a doença três amigos em um só dia, e se submeteu a cada tratamento primitivo, tóxico, que então existia, Peter Greene é grato por ainda estar vivo.
Mas 25 anos depois do seu próprio diagnóstico, o ex-mister Gay do estado do Colorado, EUA, agora com 56 anos, luta contra problemas na visão, perda de densidade óssea e outros distúrbios que debilitam a saúde, que um dia ele presumiu que não viveria o suficiente para passar por eles.
"Sobrevivi a todas as principais doenças, mas agora há um novo número delas”. Problemas no fígado, nos rins. “È como ter cinqüenta anos em um corpo de 80 anos". Greene, agente de viagens de São Francisco, disse. "Não obstante o que os meus amigos não soropositivos dizem, estou receoso de que este não seja o processo típico de envelhecimento”.
Mesmo quando a AIDS ainda era quase sempre fatal, pesquisadores previam que as pessoas infectadas com HIV seriam mais propensas ao câncer, distúrbios neurológicos e problemas cardíacos que normalmente afligem os idosos. Trinta anos após os primeiros diagnósticos, os médicos estão observando esses e outros sinais inesperados de envelhecimento prematuro ou "acelerado" em alguns daqueles que sobrevivem há muito tempo.
Cientistas financiados pelo governo estão trabalhando para descobrir se a perda de memória, artrite, insuficiência renal e pressão arterial elevada que ocorrem com pacientes entre 40 e 50 anos de idade são conseqüências do HIV, das drogas usadas para tratá-lo ou uma combinação cruel de ambos. De acordo com os Institutos Nacionais de Saúde espera-se que até 2015 pessoas com mais de 50 anos de idade constituam a maioria dos residentes nos Estados Unidos infectados com o vírus do HIV. Há certa urgência em solucionar os desafios que o tratamento complexo do HIV representa para os americanos mais velhos.
“Nos indivíduos infectados pelo HIV durante um longo tempo a persistente ação do vírus junto às células imunes, provavelmente aumenta a susceptibilidade às inflamações provocadas por doenças e diminui a sua capacidade de combater certas enfermidades”, escreveram no Dia Nacional de Conscientização sobre Envelhecimento e HIV/AIDS em Setembro passado, os responsáveis pela pesquisa de doenças contagiosas, envelhecimento e AIDS, da agência federal de saúde, resumindo o atual estágio do conhecimento.
"Juntamente com o processo de envelhecimento, a exposição prolongada destes adultos tanto ao HIV quanto às drogas anti-retrovirais parece aumentar o risco de doenças e morte a partir de problemas cardiovasculares, ósseos, doenças no fígado, nos rins e pulmonares, bem como muitos tipos de câncer não associadas diretamente com a infecção pelo HIV".
Em San Francisco, onde já mais da metade dos 9.734 casos de AIDS envolvem pessoas com idade acima de 50 anos, especialistas em AIDS da Universidade da Califórnia, estão colaborando com geriatras, farmacêuticos e nutricionistas para desenvolver diretrizes de tratamento planejadas para ajudar os veteranos da doença a enfrentar o processo de debilitação, uma ou duas décadas antes do previsto e a sobreviver sem restrições pelo maior tempo possível.
"De nada adiantaria poder dizer que você está correndo um risco alto, baixo ou moderado de progressão para a dependência nos próximos cinco ou 10 anos, tendo menos mobilidade, menos capacidade de ser funcional no local de trabalho. Você estará seguro em sua casa? Você vai lembrar-se de tomar todos aqueles medicamentos? Como eles vão interagir?", explicou o Dr. Malcolm John, que dirige a clínica de HIV da Universidade da Califórnia em San Francisco, EUA. "Todas essas questões precisam ser trazidas para o campo de batalha contra o HIV em uma idade mais jovem".
Até aqui, a pesquisa sugere que o VIH não esteja causando diretamente condições que reproduzem os efeitos da velhice, mas apressam a chegada de doenças às quais os pacientes podem ter sido genética ou ambientalmente predispostos. E mais, com o passar do tempo, os seus sistemas imunológicos são enfraquecidos mesmo quando eles estão tendo sucesso em seu tratamento contra a Aids, John disse:
“Isso é provavelmente verdade para a maior parte dessas coisas. Não estamos dizendo que o HIV dá inicio aos problemas, mas certamente acrescenta mais lenha à fogueira”.
Stokes, um paciente de John, conhecido apenas por seu sobrenome é o principal exemplo. Aos 53 anos, HIV positivo desde 1985 e em recuperação devido ao consumo excessivo de substâncias nos últimos 11 anos, diz que está mais feliz do que jamais foi. No entanto, o número de doenças das quais ele está sendo tratado seria mais comumente encontrado em alguém 30 anos mais velho: uma doença chamada de Síndrome de Ramsay Hunt, que causa paralisia facial, um distúrbio raro na cartilagem em razão do qual ele foi submetido a quatro cirurgias de orelha, morte óssea no quadril e no ombro, a deterioração do miocárdio, osteoporose e perda de memória.
Um especialista recentemente diagnosticou uma mancha de sarcoma de Kaposi no tornozelo de Stokes. Embora o câncer não seja fatal, à visão de homens jovens desfigurados por feridas provocadas por Sarcoma de Kaposi foi um prenúncio das primeiras crises de AIDS, e sua presença em seu próprio corpo é perturbadora.
Em seu grupo de terapia para homens com HIV, o tema “envelhecimento" surge com freqüência, disse ele. "Eu digo: 'Basta pensar no que temos que passar para termos uma vida hoje’’’. Ao mesmo tempo, ele reconhece, por vezes, ficar constrangido por causa de sua aparência física e preocupa-se "se as pessoas não têm interesse em me conhecer, nem vontade de saber o que significa estar comigo, não importa o quão brilhante seja a minha mente ou meu entusiasmo pela vida".
Solidão, preocupações financeiras e receios sobre quem cuidará deles e onde, pode pesar para os que sobreviveram por um longo período ao HIV, da mesma forma como para todos os adultos, viver em uma sociedade que valoriza a juventude, disse Charles Emlet, um professor do serviço social da Universidade de Washington, Tacoma.
À medida que eles se tornam mais velhos e mais doentes, muitos se sentem "duplamente estigmatizados", disse ele. Algumas pessoas que viveram com o vírus por muito tempo sobreviveram com benefícios de pensões por invalidez privados que cessarão quando eles alcançarem 65 anos de idade, forçando-os a deslocarem-se para locais menos caros ou considerar voltar a viver com membros da família em regiões afastadas. Como soldados de uma guerra distante, muitos parceiros e os seus amigos mais próximos perdidos para a AIDS.
Tais efeitos colaterais emocionais, combinados com o desgaste físico de enfrentar problemas crônicos de saúde, colocam os pacientes mais velhos da AIDS em risco de terem depressão. Ao mesmo tempo, Emlet obteve provas de que a maioria dos sobreviventes de longo prazo também compartilha outra peculiaridade que normalmente surge com a idade avançada, ou seja, a capacidade de extrair força de suas experiências difíceis.
"Muitos dos adultos mais velhos que eu entrevistei, falam sobre o quanto significa para eles retribuir, fazer algo positivo com os anos que nunca esperaram ter", disse ele.
Peter Greene pode falar sobre isso. Às vezes, como nos dias em que ele está tão exausto que não consegue sair da cama ou em que a dor causada por suas múltiplas doenças é muito intensa, ele faz a si mesmo a pergunta: "a pergunta de Carrie Bradshaw - será que temos realmente sorte por ainda estarmos vivos?"
Tão assustador e incerto como esta fase da AIDS é o fato de que ele acha que sabe a resposta.
"Eu tentei valorizar o tempo que tenho, e realmente, agora que eu tenho o corpo de uma pessoa de 80 anos, eu provavelmente tenho a sabedoria de uma pessoa dessa idade, o que conta muito", disse Greene. "Tudo se torna claro no fim de sua vida e, de certa forma, pensando que você está morrendo todos esses anos, você tem momentos de lucidez que eu não acho que todo mundo tenha."
Tradução
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Informação vale vidas humanas já se dizia em 2000.
O significado da expressão - vida social - abrange a possibilidade de plena autonomia sobre sua própria vida, integra a capacidade de trabalhar, de constituir família, de manutenção de
atividades na comunidade onde se vive.
“Constituição Da República Federativa Do Brasil:
TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos
Art. 5º - Todos São Iguais Perante A Lei, Sem Distinção De Qualquer Natureza, Garantindo-Se Aos Brasileiros E Aos Estrangeiros Residentes No País A Inviolabilidade Do Direito À Vida, À
Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”
Artigo que alinha princípios e direitos em seus incisos, os quais notoriamente dizem respeito ao convívio e à comunicação social. Dos incisos, destaca-se, textualmente:
VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".
Art. 6o – “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Há Vida com o HIV!
Viver com AIDS é Possível! Saude sim e preconceito não.
Cristiane Rozick. Jurista Brilhante e ativista pelas causas em que se luta pela vida em igualdade de condições para todos
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