Category: Fatos sobre a AIDS Created on Sunday, 05 December 2010 13:22 Last Updated on Sunday, 05 December 2010 13:22 Published on Sunday, 05 December 2010 13:22 Hits: 6703
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Burocracia, AIDS, DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS, CONTRACEPTIVOS
Com repasse parado em banco, atendimento a vítimas da doença é prejudicado Cristina Sena Mesmo com repasse, somente este ano, de mais de R$ 1,6 milhão do Ministério da Saúde para promoção, prevenção e proteção contra a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), faltaram remédios e leitos de internação para crianças portadoras de HIV em 2010. Desde 2003, a Secretaria de Saúde do DF (SES) recebeu quase R$ 10 milhões do Programa Nacional de DST e AIDS, para custeio do Plano de Ações e Metas (PAM). Desse total, R$ 5,5 milhões estão parados em uma conta bancária. Cada unidade da federação tem liberdade para elaborar o próprio plano, de acordo com as necessidades locais. As parcelas são depositadas trimestralmente. A razão, de acordo com a gerente de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/AIDS da SES, Diva Castelo Branco, é a lentidão na tramitação de processos e realização de licitações. "Os processos não caminham. Ficam tramitando na Secretaria (de Saúde), na Secretaria de Fazenda. Todas as áreas são prejudicadas com isso", relata. Enquanto o dinheiro está à espera de utilização, o índice de infectados por HIV no DF mantém-se entre médio e alto, segundo a gerente. De acordo com levantamento da SE, 160 novos casos surgiram este este ano. Em todo o ano de 2009, foram 318 ocorrências. Desde 1985, quando foi feito o primeiro registro no DF, surgiram 6.738 soropositivos. Para o presidente da ONG Arco-Íris, Antonio Lisboa, falta vontade política para que todas as metas estabelecidas no PAM sejam real-mente cumpridas. "A Gerência tem boa vontade e propostas, mas como a AIDS não é prioridade, o dinheiro vira superavit de caixa", afirma. Na semana passada a SES se reuniu com sociedade civil para discussão do novo PAM. Para a re-presentante do Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS (Gapa), Thania Arruda, ficou evidente que as ações foram afetadas pelos problemas que acometem toda a rede pública de saúde "Os centros de atendimento, por exemplo. Alguns não têm sala, em outros, faltam equipamentos. Há ainda os que não têm pessoal", relata. Ainda assim, segundo o relatado na reunião, há reagente para testagem e PRESERVATIVOS suficientes para o princípio da nova gestão. Mesmo com todas as dificuldades, a AIDS deixou, há muito tempo, impedimento para uma vida longa e feliz. Muitas vezes, quem recebe o diagnóstico SOROPOSITIVO re-cebe apoio psicológico e fraterno de outros infectados, pessoas que com-partilham histórias em comum e se ajudam nos momentos mais difíceis. É o caso dos cerca de 160 moradores da Organização Não-Governamental Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista (Fale), na Quadra 108 do Recanto das Emas. A comunidade reúne famílias inteiras, em que alguns são soropositivos, e pessoas que não puderam contar com companheirismo dentro a própria casa. São 33 cons-truções, duas delas que abrigam so-mente homens e mulheres que estão longe de suas famílias. Exemplo de superação A estudante Rafaela Menezes (nome fictício) descobriu ser portadora do HIV com apenas 12 anos de idade. Discriminada pela família, que separava objetos pessoais e ta-lheres usados pela menina, em pou-co tempo ela foi expulsa de casa. Na Fale, Rafaela teve oportunidade de recomeçar a vida e entender melhor o que se passava com seu organismo em função do vírus. Lá, ela conheceu o ex-marido, também SOROPOSITIVO, e com ele teve cinco filhos. Por causa dos cuidados no pré-natal, no parto e no primeiro ano de vida das crianças, nenhum deles contraiu HIV. "O portador do vírus tem o direito a uma vida normal, constituir família, realizar so-nhos. Cada filho representava um renascimento, uma descoberta de que, sim, tenho o direito de ser feliz", defende. O índice de transmissão vertical, que ocorre da mãe para a criança, caiu consideravelmente em todo o País. De acordo com o Ministério da Saúde, de 1999 a 2009, os casos de crianças menores de cinco anos in-fectadas foram reduzidos em 44,4%.No Distrito Federal, entre 2002 e 2010, houve aumento da detecção dos casos de gestantes soropositivas, de 14 para 64. A maior oferta de teste de HIV durante o pré-natal e no momento do parto são as causas para a quantidade de diagnósticos. Agora, aos 27 anos, Rafaela sonha mais alto, como a maioria dos jovens de sua idade. Ela, que no Dia Mundial de Combate a AIDS mi-nistrou palestra em uma faculdade particular sobre os desafios que en-frenta cotidianamente, pretende se formar em Direito e oferecer mais conforto aos filhos, que têm entre sete e três anos. Uma "escadinha", como ela mesma se refere. Improvisos para sobreviver Com uma comunidade tão grande e sem qualquer ajuda governamental, as dificuldades da Fale são muitas. A casa depende exclusivamente da ajuda de voluntários, pessoas que contribuem com alimentos, gás de cozinha, roupas e produtos de limpeza. Os pratos, que deveriam ter carne, frango ou peixe, e frutas e verduras, costumam ter somente feijão, macarrão e arroz. Um cilindro de gás de cozinha com 20 litros dura apenas uma semana. Quando é preciso buscar novas doações, outro tormento. A kombi da fraternidade foi roubada há pou-co mais de um ano. "Volta e meia alguém precisa de atendimento médico urgente e nós acionamos a Samu. Agora, quando é preciso transportar por outro motivo ou mesmo ir buscar algo, é um dilema. ", esclarece Macedo, um dos res-ponsáveis pelo local. Por causa das chuvas, as construções apresentaram rachaduras e necessitam ser reformadas com urgência. Por isso, as famílias pedem também material de construção. Além disso, faltam produtos de higiene e limpeza, roupas e cadeiras de rodas para transportar quem está debilitado. Aproximadamente 60 crianças moram no local. Há uma escala de tarefas para não sobrecarregar um ou outro morador. Todos são incentivados a cuidarem da própria saúde. "Os medicamentos melhoraram muito. Antes, eram mais de dez, agora, são cinco. Há pesquisas para transformá-los em um só", come-mora Macedo. "A vida de um so-ropositivo é longa, desde que se cuide", completa. SAIBA+ De acordo com a Secretaria de Saúde, dos 160 casos registrados até outubro deste ano, 111 eram homens e 49 mulheres. Para cada mulher infectada, há 2,3 homens. Entre 2006 e 2009, essa diferença aumentou ano a ano, e caiu novamente. Naquele ano, eram 1,8 homens para cada mulher. No ano seguinte, o índice foi igual ao deste ano; em 2008, havia 2,7 homens para cada mulher e, no ano passado, eram 2,9 para cada SOROPOSITIVO do sexo feminino. As consequências do vírus no organismo foram percebidas com mais frequência na população entre 20 e 29 anos de idade - 34,37%, - seguido de pessoas entre 30 e 39 anos, em 26,25% dos casos e de 40 a 49, em 22,5%. De acordo com o levantamento, os homossexuais são os que mais se infectaram. Foram 62 homens e 42 mulheres que mantêm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. Eles representam 65% dos soropositivos diagnosticados até outubro deste ano. As mortes em decorrência de doenças oportunistas ocasionadas pela baixa imunidade de quem tem HIV levou a óbito 77 pessoas, sendo 54 homens e 23 mulheres. O índice de mortes, por cem mil habitantes, teve pouca alteração em relação ao ano anterior. São 2,3, contra 2,5 de 2009. A transmissão vertical é bem menor que há nove anos. Em 1999, a cada 10 mil nascidos vivos, 1,42 portava HIV. Em 2009, foram 0,23. O número tinha zerado em 2007, teve aumento para 0,45 em 2008 e voltou a cair no ano passado. O levantamento apontou também que, entre 1982 e 1999, 17,6% dos diagnósticos feitos no DF eram de pessoas provenientes de outros estados, principalmente Goiás, com 12,2% do total. Entre 2000 e 2005, o percentual aumentou para 20%, mantendo-se nos últimos cinco anos. Dados nacionais Enquanto o índice de contaminação vertical caiu devido à política de prevenção à transmissão de mãe para filho, seja durante a gravidez, parto ou amamentação, o número de jovens com HIV assusta. Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira aponta que 97% dos jovens de 15 a 24 anos sabem que o PRESERVATIVO é a melhor maneira de evitar a infecção, mas à medida que há estabilidade no relacionamento o uso de PRESERVATIVOS cai. Na primeira relação sexual é de 61% e chega a 30,7% em todas as relações com parceiros fixos. Em dez anos - 1999 a 2009 - a taxa de incidência no Sudeste caiu (de 24,9 para 20,4 casos por 100 mil habitantes). Nas outras regiões, cresceu: 22,6 para 32,4 no Sul; 11,6 para 18,0 no Centro-Oeste; 6,4 para 13,9 no Nordeste e 6,7 para 20,1 no Norte. Vale lembrar que o maior número de casos acumulados está concentrado na Região Sudeste (58%).
JORNAL DE BRASILIA - DF | CIDADES |
Informação vale vidas humanas já se dizia em 2000.
O significado da expressão - vida social - abrange a possibilidade de plena autonomia sobre sua própria vida, integra a capacidade de trabalhar, de constituir família, de manutenção de
atividades na comunidade onde se vive.
“Constituição Da República Federativa Do Brasil:
TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos
Art. 5º - Todos São Iguais Perante A Lei, Sem Distinção De Qualquer Natureza, Garantindo-Se Aos Brasileiros E Aos Estrangeiros Residentes No País A Inviolabilidade Do Direito À Vida, À
Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”
Artigo que alinha princípios e direitos em seus incisos, os quais notoriamente dizem respeito ao convívio e à comunicação social. Dos incisos, destaca-se, textualmente:
VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".
Art. 6o – “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Há Vida com o HIV!
Viver com AIDS é Possível! Saude sim e preconceito não.
Cristiane Rozick. Jurista Brilhante e ativista pelas causas em que se luta pela vida em igualdade de condições para todos
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