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Pesquisa analisa a mortalidade das mulheres no Brasil

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Analisar as causas que levam à morte mulheres no Brasil foi o objetivo do "Estudo da Mortalidade de Mulheres de 10 a 49 anos no Brasil", realizado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e patrocinado pelo Ministério da Saúde com a interveniência da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

Outros objetivos da pesquisa foram mostrar as causas de morte desse grupo etário, com dados corrigidos, compará-los com os registros (oficiais) e conhecer a mortalidade materna, de maneira a obter dados mais reais, e estimar um fator de correção para a informação oficial, pois no Brasil ainda há uma cobertura incompleta do Sistema de Informação de Mortalidade Materna do Ministério da Saúde (SIM), com significativa proporção (8%) de óbitos mal definidos e sub-declaração de mortes ligadas a gravidez, parto e puerpério.

A pesquisa é inédita no Brasil e foi apresentada pelo Prof. Dr. Ruy Laurenti, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, no próximo dia 10 de Outubro em reunião promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na Alemanha.

Foram pesquisadas todas as capitais do país e detectou-se que cerca de 8,3% das mortes de mulheres de 10 a 49 anos ocorreram em menores de 20 anos.

Na região Norte, essa proporção foi de 13,7% e, na Sudoeste, igual a menos de 7%. Outra conclusão foi de que os cinco principais grupos de causas foram: câncer (24,4%), doenças do aparelho circulatório (19,6%), causas externas (15,4%), doenças infecciosas e parasitárias (12,4%) e doenças endócrinas, nutricionais e do metabolismo (4,7%).

AIDS

Os resultados apontaram também que entre as mortes por causas infecciosas, a AIDS foi a principal (61,2%); correspondendo a 92,4% na Região Sul e 44,3%, na Norte.

As características pessoais das falecidas revelaram que 49% fumavam; 51% ingeriam bebidas alcoólicas e 12% eram usuárias de drogas e o relacionamento sexual representou a principal forma de contágio.

Em 35% dos casos, o intervalo de tempo entre o diagnóstico e a morte foi menor do que 12 meses e na maioria dos casos, foi constatada a associação TUBERCULOSE/AIDS.

Doenças do aparelho circulatório

Quanto a essas causas de morte, a pesquisa descobriu que elas representam 19,6% dos óbitos totais, sendo que as proporções foram crescentes com o aumento das idades.

Doenças cerebrovasculares preponderaram em todas as regiões e corresponderam ao dobro das causas isquêmicas (no Norte, quase 5 vezes e no Centro-Oeste, 2,6 vezes).

As doenças hipertensivas representaram 20,3% do total das doenças do aparelho circulatório e 19,4% corresponderam às doenças isquêmicas do coração.

Neoplasias

O estudo mostrou ainda que as neoplasias foram as principais causas de morte, para o conjunto de capitais brasileiras (24,5%), concentrando-se nas idades de 40 e mais anos (60,2%), com variações significantes entre as regiões: 48,7% no Norte e 70% no Sul.

Quanto aos tipos, chama a atenção: no Norte, a maior mortalidade por câncer de colo de útero em relação ao de mama; no Sudeste, há a maior proporção de câncer de mama (26,9%); os órgãos digestivos são a terceira localização mais destacada; o pulmão aparece como localização importante, no Sudeste e Sul.

Acidentes e violências

Estas causas correspondem a 15,4% do total de óbitos (12,1% no Norte e 18,9% no Centro Oeste). Em 57,3% dessas mortes, a mulher era menor do que 30 anos.

Os homicídios destacaram-se no Nordeste e Sudeste e, no conjunto das capitais, totalizaram 39,3%. Em 44,6% desses casos, as mortes ocorreram entre 15 e 24 anos.

No Brasil, a proporção de mortes por acidentes de transporte foi 28,1%, sendo a principal, no Norte, Sul e Centro-Oeste.

Entre os suicídios, foram importantes as auto-intoxicações, principalmente por carbonato, usado em veneno para ratos. A depressão, em muitos casos, esteve associada ao suicídio.

Os achados trazem contribuições relevantes e confirmam tanto a necessidade de ações por parte dos gestores, no sentido de aprimoramento da informação de mortalidade, como no estabelecimento de prioridades para a área de saúde da mulher.

A pesquisa teve como coordenadores centrais o Dr. Ruy Laurenti, a Dra. Maria Helena Prado de Mello Jorge e a Dra. Sabina L. D. Gotlieb, professores do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e mais os Coordenadores Locais em cada capital do país.(www.agenciaaids.com.br)

Fonte: Dourados Agora

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