Segundo um relatório divulgado a 2 de Dezembro no Eurosurveillance, pouco menos de 26 000 pessoas foram diagnosticadas com VIH na União Europeia, em 2009 e 72% destes diagnósticos foram em homens. A taxa da infecção em homens gay e bissexuais está a aumentar, mas a diminuir nos heterossexuais.
O relatório é do European Centre for Disease Prevention and Control, que reúne dados nacionais de organismos públicos de saúde. Há algumas inconsistências na forma como estes organismos reúnem a informação, havendo relatos de atraso e falta de alguma informação. Contudo, há alguma informação de todos os 27 países da União Europeia, com excepção da Áustria, e dois países não membros da UE, Noruega e Islândia, também estão incluídos nesta análise.
Na Europa, a média da taxa de novos diagnósticos é de 5,7 por ano por cada 100 000 pessoas. No entanto, esta taxa é muito mais elevada nos homens (8,3 por 100 000) do que nas mulheres (3,2 por 100 000). A acrescentar, alguns países têm taxas de diagnóstico significativamente mais elevadas - Estónia (30,7), Letónia (12,2), Reino Unido (10,7) e Bélgica (10,3).
Observando as tendências desde 2004, a taxa geral de diagnósticos na população é relativamente estável. Contudo, a proporção de homens diagnosticados aumentou (de 64 para 72%). Esta subida reflecte um aumento de 24% no diagnóstico de homens gay e bissexuais (de 7 263 homens em 2004 para 8 974 em 2009), ocorrendo no mesmo período, menos 24% de diagnósticos em heterossexuais homens e mulheres (de 13 148 para 9 975).
O número de diagnósticos em utilizadores de drogas injectáveis desceu em 40% - de 1 952 para 1 171. Porém, em vários países da Europa de Leste, o consumo de droga por via injectada permanece o principal meio de transmissão.
Neste período de cinco anos, o diagnóstico pelo VIH triplicou na Bulgária, Islândia e Eslováquia e duplicou na Hungria e Eslovénia. Desceu em mais de 20% na Dinamarca, Estónia, Itália, Luxemburgo e Roménia.
Tendo em conta os dados de 2009, apenas onze países disponibilizaram informação suficiente sobre a contagem de células CD4 para se estimar a proporção de pessoas diagnosticadas tardiamente (com contagem de células CD4 abaixo das 350/mm3). Todavia, em dez destes países, os resultados foram muito consistentes – entre 40% a 52% dos diagnósticos foram efectuados tardiamente. A única excepção honrosa foi o Luxemburgo, onde apenas 24% foram diagnosticados tardiamente. As pessoas cujo país de origem se localiza fora da Europa, têm maior probabilidade de serem diagnosticados tardiamente quando comparados com os europeus.
Os autores afirmam que os dados de diagnósticos tardios, embora incompletos, “sugerem que o acesso ao teste e ao tratamento precisam de ser melhorados entre aqueles que se encontram em maior risco”. Assim, o European Centre for Disease Prevention and Control publicou um guia sobre como aumentar o rastreio do teste para o VIH. Neste documento, entre os principais objectivos está o compromisso político, a eliminação do estigma relacionado com o VIH e a remoção de obstáculos legais. O teste para o VIH deve ser normalizado e o tratamento disponibilizado para todos, incluindo para as pessoas em situação irregular. Acrescentam que cada país precisa de ter a sua estratégia de rastreio da infecção pelo VIH, desenvolvida com a participação de um vasto leque de intervenientes.