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Boas taxas de sobrevivência para doentes co-infectados com VIH/VHC, portadores de cirrose compens.

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Michael Carter

Investigadores Espanhóis reportaram na edição online da revista AIDS que as taxas de sobrevivência em média em doentes co-infectados pelo VIH e pela Hepatite C que sofrem de cirrose compensada são boas e comparáveis às taxas observadas em doentes monoinfectados com hepatite C.

 

As suas análises demonstraram que 87% dos doentes portadores de cirrose compensada ainda estavam vivos após três anos. No entanto, os doentes co-infectados pela cirrose descompensada apresentaram um prognóstico muito mais fraco e a sua taxa de sobrevivência era apenas de 50%. “Assim que se verifica descompensação, o prognóstico rapidamente piora”; comentam os autores.

 

O estatuto de tratamento do VIH e a classificação de Child-Pugh (uma avaliação do prognóstico) estavam significativamente associadas com os resultados.

 

A doença hepática é agora uma das principais causas de doença grave e de morte em doentes co-infectados pelo VIH e pela hepatite C.

 

Os investigadores Espanhóis pretenderam estabelecer uma melhor compreensão da história natural da cirrose e dos factores associados ao prognóstico nos doentes co-infectados.

 

Entre Junho de 2004 e Julho de 2005 os investigadores inscreveram 340 doentes co-infectados com cirrose num estudo prospectivo. Os doentes foram avaliados no início e depois em intervalos de seis meses.

 

A maioria dos doentes (n = 248) era portadora de cirrose compensada (ex: mesmo que estejam presentes danos severos no fígado, o fígado ainda é capaz de compensar ou lidar com os danos sofridos).

 

Os doentes portadores de cirrose compensada tinham uma contagem de células CD4 significativamente superior do que os indivíduos com cirrose descompensada (p = 0,0001). O prognóstico previsto no início era muito melhor para doentes com cirrose compensada, e 90% tinha uma pontuação Child Pugh de A (100% de taxa de sobrevivência de um ano; 85% de taxa de sobrevivência de três anos) em comparação com 28% dos doentes com cirrose descompensada.

 

A taxa de mortalidade no total era de 8,55 por 100 pessoas/ano. Dois terços da totalidade de mortes foram atribuídos à doença no fígado. A taxa de mortalidade para doentes com cirrose descompensada era de 27 mortes por 100 pessoas/ano em comparação com 4 mortes por 100 pessoas/ano para doentes com cirrose compensada.

 

Após três anos de seguimento, a taxa de sobrevivência foi de 75%. No entanto, 87% dos doentes com cirrose compensada estavam vivos durante este intervalo do seguimento, em comparação com 43% dos indivíduos com doença hepática descompensada.

 

A maioria dos doentes (89%) com uma pontuação Child Pugh A no início, ainda estava viva após três anos, em comparação com 50% dos indivíduos com uma pontuação base B, e 16% desses cujo prognóstico foi avaliado como Child Pugh C.

 

Na coorte completa, os factores associados com uma sobrevivência mais fraca foram a interrupção permanente da terapêutica anti-retroviral (p= 0,0001), nadir da contagem de células CD4 (p = 0,017) e uma pontuação Child Pugh de B ou C (p = 0,0001).

 

Para os doentes portadores de cirrose compensada no início, os factores associados com uma sobrevivência mais fraca foram a progressão para a doença descompensada, interrupção do tratamento para o VIH e uma pontuação Child Pugh mais fraca no início.

 

Uma duração mais prolongada da infecção pela hepatite C, interromper a terapêutica para o VIH e uma pontuação Child Pugh de B ou C estavam todas associadas com o risco de progressão para uma cirrose descompensada.

 

“O nosso estudo enfatiza a utilidade clínica da pontuação Child Pugh nesta população,” notam os investigadores.

 

Os investigadores também comentam sobre a associação entre a interrupção da terapêutica do VIH e prognósticos mais fracos, e sugerem que “é possível que a HAART [terapêutica anti-retroviral altamente activa] possa ser benéfica para os doentes co-infectados devido à preservação relativa da função imune ou até mesmo ao diminuir a progressão da fibrose do fígado, provocada pelo VIH ou a apoptose hepatócita.”

 

Finalmente, os investigadores conduziram uma análise envolvendo os doentes com cirrose compensada no início, que receberam terapêutica para a hepatite C durante o seguimento. Uma resposta virológica mantida a este tratamento não melhorou a sobrevivência.

 

“É possível que o motivo para que não tenhamos encontrado um benefício de sobrevivência… seja a falta de poder e/ou de um seguimento insuficiente,” explicam os investigadores. Eles acrescentam que a probabilidade dos doentes que responderam à terapêutica para a hepatite C morrerem, desenvolverem cancro ou de necessitarem de um transplante era baixa.

 

“O nosso estudo mostra a possibilidade de três anos de sobrevivência para doentes co-infectados com VIH e hepatite C com doença do fígado compensada,” concluem os autores, adicionando “é necessário mais seguimento para confirmar um possível benefício de sobrevivência para os doentes portadores de cirrose que alcançam uma resposta virológica mantida.”


Referência

López-Diéguez M et al. The natural history of liver cirrhosis in HIV-HCV coinfected patients. AIDS, online edition, doi: 10. 1097/QAD.0b013e3283454174, 2011 (click here for the free abstract).

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