Category: Notícias 2009 Created on Wednesday, 16 December 2009 11:23 Last Updated on Tuesday, 12 July 2011 02:15 Published on Wednesday, 16 December 2009 11:23 Hits: 1254
Marta Reis
Em Khayelitsha, uma das comunidades mais pobres e violentas da África do Sul, não é a falta de água encanada nas casas ou as armas de fogo que mais preocupam seus moradores. Um terço da população adulta é HIV positivo.
Não é um caso isolado na África do Sul. Em outras periferias, nas províncias de KwaZulu-Natal e Mpumalanga, o quadro também é alarmante e a doença atinge 40% da população adulta. A nação de 49 milhões de habitantes tem a pior epidemia de AIDS do mundo, com 5,7 milhões de casos, de acordo com dados de 2008 das Nações Unidas. A AIDS provoca mais da metade das mortes no país.
Hoje, a África do Sul parece finalmente estar no caminho certo para controlar a epidemia. Mas isso não significa que a solução esteja próxima. Por causa da desinformação e de uma série de medidas desastrosas dos governos anteriores, o trabalho ainda é longo. "A expectativa de vida na África do Sul é de apenas 47 anos, enquanto no Afeganistão é de 44 anos. E sabemos que o Afeganistão está em guerra. É como se estivéssemos em guerra também", comparou o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi.
O ministro atribui ao ex-presidente Thabo Mbeki e à sua ministra da Saúde, Manto Tshabalala-Msimang, a culpa pela baixa expectativa de vida e pelos elevados casos da doença. Segundo Motsoaledi, o quadro seria completamente diferente se o problema tivesse tido outra abordagem na gestão de Mbeki.
Nos nove anos à frente da África do Sul -- de 1999 a 2008 -, Mbeki levou a maior economia do continente africano a perder a batalha contra a AIDS. Enquanto a maioria dos países investia em pesquisas e campanhas de conscientização, Mbeki ia no sentido contrário. Sua falta de informação sobre o assunto era constrangedora e o ex-presidente causou revolta, dentro e fora das fronteiras, por declarações bisonhas. Em 1999, chegou a negar que o vírus HIV causasse a AIDS, quando há anos a discussão já havia sido encerrada pela comunidade científica.
"Falar sobre a doença virou um tabu no governo de Mbeki. Não se discutia o assunto, não se investia em prevenção e, enquanto isso, mais e mais pessoas eram infectadas", afirma o coordenador do projeto de combate à AIDS dos Médicos Sem Fronteiras em Khayelitsha, Gilles van Cutsem.
Mbeki também questionou a eficácia das drogas antirretrovirais no tratamento dos doentes, devido aos efeitos colaterais dos remédios. Ele argumentou que mais testes precisavam ser rea-lizados antes de disponibilizá-las no sistema público de saúde. Apenas em 2001 a África do Sul passou a utilizar os coquetéis no tratamento oferecido por hospitais e clínicas, depois de quase todos os países do continente.
O ex-presidente ainda nomeou Manto Tshabalala-Msimang para o delicado cargo de ministra da Saúde. Manto ganhou o apelido de doutora beterraba ao sugerir que uma dieta alimentar rica em beterraba, alho e suco de limão seria mais eficaz no tratamento da AIDS do que as drogas antirretrovirais. "Muitos pacientes ficaram confusos com as declarações da ministra e vieram me perguntar se a dieta realmente funcionava. É algo inacreditável. A demora em tomar ações efetivas no tratamento durante o governo Mbeki nos custou 330 mil vidas. Em 1990, apenas 1% dos sul-africanos tinha a doença, atualmente são 12%", analisou Van Cutsem.
A África do Sul é hoje líder no número de pacientes em tratamento com as drogas antirretrovirais - 700 mil. No entanto, segundo Van Cutsem, a quantidade ainda é insuficiente e outros 1,5 milhão de sul-africanos estão à espera dos medicamentos. O ministro da Saúde, Motsoaledi, prometeu atingir 80% dos pacientes que precisam dos remédios até 2012.
A epidemia também é agravada porque a África do Sul tem um dos mais elevados índices de violência sexual contra a mulher em todo o mundo - mais de 50 mil casos de estupro são registrados por ano - e também em razão de crenças locais. Em algumas culturas negras sul-africanas, acredita-se que o sexo com virgens auxilia na cura contra a doença e a poligamia é aceita.
O país é responsável por 17% do total de infectados no mundo, mas o problema ainda não tem a visibilidade nacional que deveria. Nas rádios, tevês e jornais locais não se veem muitas campanhas de conscientização sobre a doença, a distribuição de camisinhas é insuficiente e, em geral, as pessoas evitam falar sobre o assunto. O ministro da Saúde prometeu que o combate à AIDS será a prioridade de sua gestão, mas em poucos meses no cargo já causou polêmica.
Durante a divulgação das estatísticas anuais sobre a doença, Motsoaledi afirmou que apenas no ano passado 756 mil pessoas morreram por causa da AIDS no país, um aumento de 30% em comparação com 2007. O número foi considerado muito alto por especialistas e pela imprensa, que acusaram o governo de manipular as estatísticas para que o atual presidente, Jacob Zuma, se beneficiasse da redução dos casos quando uma nova pesquisa for divulgada em 2010.
Zuma, que assumiu a Presidência em maio deste ano, é do mesmo partido político de Mbeki, mas recusa qualquer semelhança com seu antecessor e prometeu eficácia no combate à AIDS. No entanto, ainda há muita desconfiança sobre ele, principalmente pela maneira irresponsável como se referiu à doença no passado. Em 2005, ao se envolver num escândalo de abuso sexual, Zuma alegou que tomou um banho logo após a relação para não contrair a doença.
Polêmicas à parte, Zuma mostrou-se bem mais engajado do que Thabo Mbeki. O presidente prometeu que, no Dia Mundial da Luta Contra a AIDS, em 1º de dezembro, se submeteria a um exame de HIV, maneira de estimular o resto da população a fazer o mesmo. "Se os discursos do presidente e do ministro forem transformados em ações, estamos no caminho certo. Acho que o principal desafio nos próximos anos é como conseguir sustentar os pacientes em tratamento depois desta crise financeira mundial. Muitas organizações estão cortando doações e o governo vai ter de bancar ou mais gente vai morrer", alerta Van Cutsem.
CARTA CAPITAL |
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SOCIEDADE |
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16/DEZEMBRO/09 |
Informação vale vidas humanas já se dizia em 2000.
O significado da expressão - vida social - abrange a possibilidade de plena autonomia sobre sua própria vida, integra a capacidade de trabalhar, de constituir família, de manutenção de
atividades na comunidade onde se vive.
“Constituição Da República Federativa Do Brasil:
TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos
Art. 5º - Todos São Iguais Perante A Lei, Sem Distinção De Qualquer Natureza, Garantindo-Se Aos Brasileiros E Aos Estrangeiros Residentes No País A Inviolabilidade Do Direito À Vida, À
Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”
Artigo que alinha princípios e direitos em seus incisos, os quais notoriamente dizem respeito ao convívio e à comunicação social. Dos incisos, destaca-se, textualmente:
VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".
Art. 6o – “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Há Vida com o HIV!
Viver com AIDS é Possível! Saude sim e preconceito não.
Cristiane Rozick. Jurista Brilhante e ativista pelas causas em que se luta pela vida em igualdade de condições para todos
Monto sites, configuro computadores, configuro skype, gtalk, voip etc... Se você faz parte do terceiro setor e tem dificuldades com TI, entre em contato pelo fone 11 95285170.
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