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Menino também pode ser vacinado contra o vírus HPV

 

 

 

Cientista alerta sobre riscos para jovens antes de terem relações sexuais

 

 

Eis um tema que não pode ser tratado como tabu, principalmente quando se lida com adolescentes. As experiências sexuais, muito naturais nessa fase da vida, mesmo que não em sua forma plena, são motivo de preocupação de especialistas em saúde pública. A razão é uma sigla de três letras: HPV. O vírus, que pode provocar câncer de colo de útero e lesões nas regiões genitais, é altamente contagioso e pode ser transmitido por simples carícias ou toques mais íntimos, o que não é raro numa relação entre jovens, mesmo virgens.

 

 

- Hoje, no Brasil, muitas vezes as relações sexuais entre jovens não se efetivam, mas há muitos toques. Por isso, as famílias devem refletir sobre a importância de vacinar seus filhos, sem preconceitos.

 

 

E o melhor é que a imunização seja precoce - diz a cientista Luisa Lina Villa, diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, de São Paulo.

 

 

A pesquisadora brasileira vai além. Ela recomenda que meninos sejam vacinados e não só meninas.

 

 

- Pesquisas apontam que a vacina contra o HPV em adolescentes do sexo masculino são extremamente eficazes. Além de o homem ser um vetor da doença e, assim, poder contaminar sua parceira, ele também é vítima do vírus - diz.

 

 

Segundo a cientista brasileira, o homem contaminado pelo HPV pode desenvolver verrugas nas regiões genitais. E até mesmo na garganta, em consequência da prática de sexo oral. A vacina, de acordo com estudos internacionais citados pela pesquisadora, previne 90% destas lesões em homens: - Em relação ao HPV, não existe uma cultura de prevenção para os homens no Brasil. Em outros países, como EUA, México, Colômbia e Equador, já existe a indicação oficial para vacinar meninos também, a partir de 9 anos de idade.

 

 

Em relação às meninas, ela cita as barreiras culturais como agravantes para a questão do HPV.

 

 

- Muitas mães acham que a filha é nova demais para ser vacinada. Há ainda o medo de que a vacina não seja segura - disse ela, em simpósio sobre o HPV em Buenos Aires.

 

 

Segundo a empresa farmacêutica MSD, a vacina não contém o vírus. Ela é produzida com informação genética, por isso não representa risco de contaminação.

 

 

A palavra-chave na luta contra o HPV, de acordo com os participantes do simpósio, é justamente a prevenção. E a vacinação é, na convicção deles, fundamentada em estudos científicos, a forma mais eficiente de prevenir contra as doenças decorrentes do vírus.

 

 

Javier Neto, diretor do Gorgas Memorial Institute, do Panamá, alertou para o fato de, em relação aos tipos de câncer, o de colo de útero, causado pelo HPV, só provocar menos mortes do que o de mama na América Latina: - A vacinação é uma das estratégias mais inovadoras para a prevenção do câncer de colo de útero.

 

 

O exame de Papanicolau, também é eficiente. Ele aponta eventuais lesões provocadas pelo HPV que podem ser tratadas. Mas a vacina pode evitar que se contraia o vírus.

 

 

Os cientistas fazem questão de ressaltar que mesmo quem toma a vacina deve se submeter a exames como o Papanicolau.

 

 

- Mesmo com a vacinação, deve se continuar a fazer exames. Pois ela não cura a doença, mas sim a previne - disse o oncologista e ginecologista Gonzalo Perez, diretormédico de Vacinas da MSD Latino-americana, multinacional que fabrica o medicamento. Ele integrou os debates sobre o HPV em Buenos Aires.

 

 

- Se pudermos ter exames frequentes e vacinação combinados, as taxas cairão para níveis dos países ricos - endossou a brasileira Luisa Villa.

 

 

Um dos problemas relacionados à vacinação contra o HPV é seu alto custo. No Brasil, ela não é oferecida na rede pública de saúde. Apenas em clínicas privadas.

 

 

Seu preço médio é de R$ 1 mil. Assim, apenas famílias com mais recursos podem buscar a imunização, que tem uma eficácia acima de 90%, segundo a empresa farmacêutica MSD.

 

 

- Há uma abertura da empresa para discutir com o governo brasileiro a possibilidade de transferência de tecnologia para que o Brasil possa fabricar a vacina a um custo menor - afirmou o diretor da MSD Gonzalo Perez.

 

 

Marcelo Gigliotti viajou a Buenos Aires a convite da MSD

 

 

Fabricante da vacina se diz aberto a negociar transferência de tecnologia com Brasil

 

 

JORNAL DE BRASILIA-DF

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

SAÚDE

29/NOVEMBRO/09

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