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Baixa temperatura castiga a vida dos moradores de rua

CRUZEIRO DO SUL ONLINE |

AIDS

Samira Galli

Temperatura do corpo deve ser mantida em torno de 37 graus

Nesta época aumenta o risco de hipotermia, que pode levar à morte

morador-de-rua

A queda brusca de temperatura tem castigado os sorocabanos nesses últimos dias, sobretudo à noite e de madrugada. A situação é ainda pior para os moradores de rua, que, por estarem expostos ao frio por muito tempo, podem sofrer hipotermia. Na madrugada de segunda-feira, a temperatura mínima chegou aos 7,7 graus, registro que só perdeu para o dia 7 de junho, quando a mínima chegou aos 6,2 graus, a menor do ano até então. Ontem o frio persistia, com 10,8 graus nos termômetros. E segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a previsão é que pelo menos até sexta-feira os baixos índices se mantenham, com tendência de aumento somente durante o dia.

Com muita tosse e pouco agasalho, João Eduardo Ribeiro, 38 anos, está em Sorocaba há cinco meses e procura marquises para passar a noite. Com apenas um cobertor fino, conseguiu se aquecer um pouco mais na noite de segunda para terça-feira, pois encontrou uma capa de banco de automóvel para se proteger. Passei muito frio à noite, mas consegui dormir um pouco, afirmou. Ribeiro saiu de casa com 12 anos e deixou para trás a família, inclusive duas filhas adolescentes, em Curitiba. Muitos motivos fazem com que eu não volte, alegou.

Professor da PUC-SP e membro da Academia de Medicina de São Paulo, o cardiologista Hudson Hubner França disse que os moradores de rua ficam expostos a temperaturas baixas por muito tempo estão sujeitos a pegar uma infecção nos pulmões e até morrer. O organismo não consegue manter a temperatura do corpo e os órgãos param de trabalhar, explicou. Para um funcionamento adequado, o corpo humano deve manter a temperatura de aproximadamente 37 graus, quando é reduzida, ocorre a hipotermia. Até 31 graus, os órgãos funcionam pouco, mas funcionam. Abaixo disso, o risco de morrer é muito grande, continuou.

Portador do vírus do HIV, Ribeiro se preocupa com a saúde e sabe: Nesta situação, se eu pegar uma pneumonia, complica. Numa mala que carrega consigo, leva mais remédios que roupas. Tem alguns intrumentos de trabalho também, mas agasalho não tem, contou ele, que foi mecânico de motos por 20 anos e hoje tenta trabalhar como tatuador. E para portadores de doenças, como cirrose ou vírus HIV, o risco é ainda maior, destacou o médico. O sistema imunológico destas pessoas é muito baixo e prejudica a defesa contra infecções, o que aumenta o risco de morte, afirmou.

Bebida

Se já não bastasse o frio, outro problema que agrava a situação do morador de rua é o alcoolismo e a desnutrição, que predominam, apontou o médico. Segundo ele, a ingestão de bebidas alcoólicas provocam uma sensação falsa de calor, que causa a dilatação dos vasos sanguíneos, o que aumenta a perda de calor. A pessoa tem sensação de calor e por dentro está esfriando, reiterou.

A exposição ao frio com roupas molhadas e a permanência em superfícies de cimento e metalizadas agravam a hipotermia. Para evitar riscos, o médico aconselha que as pessoas se agasalhem o máximo que conseguirem e evitem a exposição ao frio e ao vento o quanto puderem. A saúde agradece.

Abrigos assistências têm vagas

Apesar do frio, o albergue do Serviço de Obras Sociais (SOS) de Sorocaba não registrou aumento considerável na procura. A entidade tem atualmente há 40 vagas disponíveis e a Casa Transitória André Luiz outras 54, destinadas a pessoas que necessitem de cuidados de saúde, com atendimento por paramédicos. Dos 94 leitos disponíveis no SOS na noite retrasada, 56 estavam ocupados, 11 a mais que na madrugada de segunda-feira. No final de semana sempre diminui o número de pessoas, mas mesmo com o frio não aumentou muito, garantiu o gerente do abrigo, Vanderlei da Silva.

A Secretaria da Cidadania (Secid) informa que durante o período de maior frio intensifica o trabalho de ronda para localizar moradores de rua. Mas, o encaminhamento para os abrigos depende da concordância dos próprios moradores e, caso haja recusa, os agentes da Secid disponibilizam cobertores. Para manter este trabalho, a Secid mantém convênio com entidades locais para fazer esse trabalho.

Das 8h às 17h, equipes da ronda da Cidadania e do Centro Regional de Registro e Atenção de Maus Tratos na Infância (Crami) fazem a abordagem de crianças e adolescentes nas ruas. Já a Associação Cristã de Assistência Plena (Acap) faz o mesmo trabalho com a população de rua, sendo que entre 17h e 22h é a ronda quem atende este segmento. A Secid mantém ainda o Centro de Triagem, que fica na Rodoviária. Diariamente, entre 15 e 20 passam pela unidade. A maioria é de pessoas que estavam em hospitais da região e estão à procura de albergue.

Outro projeto da Secretaria da Cidadania, infomou em nota, é o De volta ao Lar. Desenvolvido em parceria com a Secretaria da Saúde (SES) e com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Civil, uma equipe formada por assistentes sociais e funcionários faz ronda nos principais pontos da cidade para incentivar a volta da pessoa para seus familiares, que recebem apoio do serviço social.

A equipe oferece também ajuda caso a pessoa abordada expresse o desejo de voltar para a cidades de origem. Antes de fornecer a passagem de volta, é convidado a se abrigar no SOS, onde recebe refeições e pode tomar banho. Tudo isto com atendimento de assistente social, que também se comunica com a família do albergado. Os menores de idade são encaminhados aos Conselhos Tutelares. Os que se encontram embriagados ou drogados são enviados ao Centro de Atenção Psicossocial do Jovem (Caps) ou ao Hospital Regional, para atendimento. Se necessário, o médico realiza o encaminhamento para hospital psiquiátrico.

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Hoje é dia vinte e cinco de Maio , Sexta-feira, do ano dois mil e doze!
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Informação vale vidas humanas já se dizia em 2000.

O significado da expressão - vida social - abrange a possibilidade de plena autonomia sobre sua própria vida, integra a capacidade de trabalhar, de constituir família, de manutenção de

atividades na comunidade onde se vive.

“Constituição Da República Federativa Do Brasil:

TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos


Art. 5º - Todos São Iguais Perante A Lei, Sem Distinção De Qualquer Natureza, Garantindo-Se Aos Brasileiros E Aos Estrangeiros Residentes No País A Inviolabilidade Do Direito À Vida, À

Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”

Artigo que alinha princípios e direitos em seus incisos, os quais notoriamente dizem respeito ao convívio e à comunicação social. Dos incisos, destaca-se, textualmente:
VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".

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