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03/08/2010 - UFSC: Dissertação analisa abordagem da mídia sobre a prática do sexo sem camisinha

UNIVERSIA |

AIDS | CAMISINHA | CONTRACEPTIVOS | LGBT


 

"Barebacking sex: a roleta russa da AIDS?", de autoria de Paulo Sérgio Rodrigues de Paula, será lançado no dia 25/08, às 19h, no Centro de Cultura e Eventos

Analisar detalhadamente os discursos sobre a prática do Bareback sex na mídia brasileira e na internet foi o tema da dissertação de mestrado em Psicologia (UFSC), de Paulo Sérgio Rodrigues de Paula. O trabalho agora ganhou novo formato e será lançado no dia 25/08, às 19h, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, durante o Congresso Internacional Fazendo Gênero 9, que acontece de 23 a 26 de agosto.

O livro "Barebacking sex: a roleta russa da AIDS?", editado pela Multifoco (RJ), aborda a prática que surgiu nos Estados Unidos como um movimento que pregava a liberdade e também como forma de pressionar autoridades para a busca de uma vacina. O autor explica que sua preocupação "não foi julgar a prática como certa ou errada, ou buscar os porquês de se praticar sexo sem CAMISINHA, e sim analisar como se dão as discursividades sobre o Bareback sex no Brasil".

Paulo afirma que ainda não há consenso de quem seriam os adeptos do Bareback sex, os barebackres: "Há vários grupos que caracterizam a prática, como por exemplo os bug chaser, ou "caçadores do erro", que são os que desejam se infectar com o vírus HIV. Para mim, barebackers são aqueles que mantêm relações sem PRESERVATIVOS entre pessoas completamente desconhecidas e sem nenhum tipo de vínculo afetivo". Mas diante de relações estáveis em que a parceira toma PÍLULA e o companheiro não utiliza CAMISINHA, ou entre pessoas com mais de 50 anos que iniciaram suas vidas sexuais numa época quem que o PRESERVATIVO não era difundido, o autor considera que ainda cabe a pergunta: "Afinal, que é ou não barebacker?".

O estudo aponta que a abordagem da mídia tem sido estereotipada. "Predominam os discursos bio-médicos prevencionistas, em que os meios de comunicação, de modo muitas vezes sensacionalista, cumprem o papel de trazer o tema ao grande público. Entretanto, quando o assunto é o sujeito que pratica bareback, existe uma prevalência em caracterizá-lo via discursos patologizantes, como alguém anormal, portador de distúrbios neuro/psicológico/psiquiátricos; ou criminalizadores, que acabam contribuindo para a manutenção de estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais. Nessas discursividades, o HOMOSSEXUAL adepto de barebacking é considerado um pré-doente, já que nesta prática, considerada de alto risco, a possibilidade de infecção pelo HIV é tida como certa, transformando seus praticantes em pessoas irresponsáveis ou criminosas, passíveis de diagnósticos, qualificações e intervenções advindas dos discursos da verdade".

A professora Mara Coelho de Souza Lago, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC, entende que a obra de Paulo como "uma pesquisa corajosa e relevante na área dos estudos de gênero e sexualidade. Como feminista preocupada com todas as formas de discriminações, considero importante ter participado da orientação de seu trabalho, na medida em que se constitui como uma contribuição acadêmica para a reflexão e complexificação de discursos sobre sujeitos e as práticas sociais".

O autor:

Paulo Sérgio Rodrigues de Paula é mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especialista em Sexualidade Humana pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), graduado em Psicologia (Formação de Psicólogo, Licenciatura, Bacharel) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP); equivalência em Psicologia pela Universidade de Coimbra (UC)/Portugal (2003). Pesquisador junto ao Núcleo Modos de vida, família e relações de gênero (Margens) e do Núcleo de pesquisa em constituição do sujeito, práticas sociais, relações estéticas e processos de criação (Nupra), ambos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Fonte: Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina

 

 

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