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Notícias de 2012

Levantamento feito em São Paulo aponta mudanças no perfil da Aids

 

 

hiv

Acesso universal e gratuito ao diagnóstico e tratamento a partir de 1996 resultou em uma queda de, em média, 30% da mortalidade

 

Levantamento de um projeto realizado por pesquisadores de quatro instituições no Estado de São Paulo, incluindo as Faculdades de Medicina e Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Saúde e a Coordenação Estadual de DST/Aids da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), verificou a mudança no perfil do paciente com Aids. A disponibilização do acesso universal e gratuito ao diagnóstico e tratamento da Aids em São Paulo a partir de 1996 resultou em uma queda de, em média, 30% da mortalidade e em um aumento de 50% na prevalência (número de pessoas vivendo com a doença) no estado nos últimos anos.

Essa queda drástica da mortalidade e aumento da sobrevida de pacientes com Aids está mudando o perfil da doença e provocando mudanças nas estratégias de atendimento dos pacientes em São Paulo, que tende a se tornar muito diferente da que o sistema de saúde conhecia e estava acostumado a lidar.

Financiado pela Fapesp por meio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas, o objetivo do estudo foi criar uma sistemática de diagnóstico de vulnerabilidade à Aids em São Paulo por meio da seleção de indicadores sociais, individuais e programáticos, com a finalidade de identificar comunidades e segmentos populacionais em áreas geográficas no estado que devem merecer políticas públicas e intervenções específicas.

Para isso, os pesquisadores avaliaram o impacto da introdução dos antirretrovirais altamente potentes no estado a partir de 1996, analisando três indicadores epidemiológicos: taxa de mortalidade, prevalência e incidência.

Alguns dos principais apontamentos do estudo foram que, em função da introdução do programa, houve uma queda da mortalidade por Aids em todo o Estado de São Paulo e a incidência também passou a cair a partir de 1998. "Entre 1998 e 2005, que foi o último ano que analisamos, a queda da taxa de mortalidade foi de, em média, 30% e, dado que o tratamento não cura, verificou-se um aumento da prevalência de cerca de 50%. Também houve uma melhora da qualidade de vida dos pacientes" , disse Eliseu Alves Waldman, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenador do projeto. De acordo com o pesquisador, de modo geral, o programa estadual de prevenção e controle de DST/Aids tem sido bem-sucedido em 93% dos municípios paulistas que apresentam casos de Aids. Entretanto, o desempenho do programa não é igual em aglomerados urbanos pequenos, médios e grandes.

O programa apresenta desempenho melhor nos centros urbanos médios e grandes, que dispõem de melhores serviços de assistência básica à saúde, maior número de serviços especializados e onde os níveis de escolaridade da população são mais elevados, o que aumenta a probabilidade de diagnóstico precoce e introdução do tratamento.

Já nos municípios muito pequenos, que correspondem a, aproximadamente, 5% das regiões analisadas no estudo, os resultados do estudo apontam a necessidade de estratégias específicas de intervenção. " São municípios tão pequenos que, muitas vezes, não dispõem de serviços próprios de atendimento especializado e o diagnóstico e tratamento dos casos acabam sendo tardios" , explicou Waldman. " Para isso, há tentativas de se trabalhar com consórcios, em que um ambulatório especializado atenderia um conjunto de pequenos municípios."

Na Grande São Paulo, por exemplo, que foi uma das áreas homogêneas estudadas na pesquisa, a taxa de mortalidade e incidência de Aids nos últimos anos caiu, aproximadamente, 60%, e houve um aumento mais acentuado da prevalência. " Esses resultados são equivalentes aos dos programas de prevenção e controle de Aids/DST desenvolvidos nos principais centros urbanos norte-americanos e europeus" , destacou Waldman.

Mudança de perfil

Segundo Waldman, entre alguns dos resultados mais bem-sucedidos do programa paulista estão a expressiva diminuição da transmissão vertical (de mãe para filho) no Estado de São Paulo e um aumento da sobrevida de pacientes que já nasceram infectados.

Em todas as regiões do estado, incluindo os pequenos municípios e com maior predominância nos grandes centros, os pesquisadores verificaram que, em consequencia da ampliação da sobrevida, houve aumento no número de adolescentes e adultos jovens vivendo com Aids, que representam um tipo de paciente muito diferente dos que os serviços de assistência à saúde conheciam e estavam acostumados a lidar.

Isso, segundo Waldman, implicará a necessidade de políticas públicas que promovam o desenvolvimento de novas tecnologias e a criação de atendimento adequado a esse tipo de paciente no sistema público de saúde paulista.

" Será preciso acompanhar não só os efeitos colaterais dos antirretrovirais nesses pacientes, mas, à medida que se tem mais pessoas sendo tratadas por longos períodos, precisaremos ter laboratórios que acompanhem, por exemplo, o surgimento de resistência às drogas, que é algo que tem que ser monitorado porque isso implica, muitas vezes, mudanças nos esquemas terapêuticos" , disse.

Outra constatação do estudo foi que a queda da mortalidade por Aids entre pessoas acima de 50 anos não ocorreu de forma tão intensa como a observada entre jovens, indicando que esse grupo também necessita de cuidados especiais de profissionais e serviços ambulatoriais e demandará estratégias específicas do programa de controle e prevenção de Aids paulista, como as que já vêm sendo implementadas em outros países.

" A pior resposta aos antiretrovirais apresentada por esse grupo etário necessita ser mais estudada. Em parte, ela pode ser atribuída à diminuição natural da resposta imune entre os idosos e também à maior prevalência de co-morbidades, muitas vezes tratadas com medicamentos que deprimem o sistema imunitário", apontou Waldman.

Segundo o pesquisador, algumas das possíveis implicações em políticas públicas dessas mudanças no perfil da Aids no Estado de São Paulo poderão ser a necessidade de recursos para pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que possibilitem condições para a criação de novas estratégias para o tratamento e acompanhamento desses pacientes afetados pela doença, de evolução crônica, e que são vulneráveis, por exemplo, aos efeitos colaterais decorrentes do uso prolongado de medicamentos.

Um dos resultados do projeto foi um conjunto de indicadores sociais, demográficos e programáticos para o monitoramento da epidemia de Aids no estado de São Paulo, que foram disponibilizados na forma de um aplicativo no site do CRT DST/Aids para os gestores municipais, que são responsáveis pela execução do programa no estado.

 

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Last Updated on Thursday, 10 May 2012 08:11

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Estado deve indenizar paciente por diagnóstico errado de HIV

 Mais cautela nos exames

 

 

 

O Estado deverá indenizar paciente por danos morais e materiais após o Hospital de Doenças Tropicais Anuar Auad (HDT/HAA) divulgar resultado de exame equivocado, diagnosticando a paciente com aids. A decisão é da juíza substituta em segundo grau, Sandra Teodoro, acompanhada dos membros da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Mesmo com recurso do Estado, a magistrada manteve sentença proferida na 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual da comarca de Goiânia, que fixou indenização por dano moral no valor de R$ 30 mil, e por danos materiais, no valor de R$ 300.

A paciente se submeteu a diversos exames em 2006, entre eles o teste HIV, todos realizados no HDT. No teste HIV, o laudo indicou resultado positivo para aids. Embora não tenha recebido qualquer orientação do hospital a respeito da possibilidade de se realizar novo exame, a paciente, orientada por amigos, submeteu-se novamente ao teste, cujo resultado foi "não reagente para HIV". Segundo ela, em razão do laudo positivo, sofreu "sérios constrangimentos e profundo abalo moral, uma vez que fora vítima da desconfiança e rejeição de seu companheiro, filhos e amigos, sujeitando-se inclusive a tratamento psiquiátrico". Por isso, pediu indenização por danos morais e materiais, concedidas pelo juízo em 1º grau.

Ao contestar a decisão, a defesa do Estado alegou que "a repercussão do fato se deu em virtude da atitude precipitada da paciente", já que "o primeiro exame realizado com laudo positivo para HIV não é conclusivo, e sua repetição é medida sempre aconselhada". Porém, em seguida admite que os kits utilizados nos exames, com ênfase no programa que emite os resultados, não foram substituídos, o que gerou o laudo equivocado para o teste HIV, sendo a primeira via com o resultado correto retida no hospital, e a segunda, com o diagnóstico errado, entregue à paciente. Ainda em defesa, o Estado alegou que a indenização por danos materiais é indevida, uma vez que o Estado oferece acompanhamento psicológico e psiquiátrico gratuitos aos carentes e sugeriu que o valor arbitrado para os danos morais poderia caracterizar enriquecimento ilícito da paciente, por ser muito alto.

Sandra Teodoro confirmou a sentença proferida em 1º grau e afirmou que a decisão "não merece reparos". "Cristalino o dever do Estado de indenizar a paciente, com a quantia fixada em R$ 30 mil, pela conduta negligente e imprudente dos responsáveis pela realização do exame cujo laudo restou, erroneamente, positivo para aids, causando-lhe sérios prejuízos de ordem moral. Assim, não merece reparos a sentença verberada", justificou. A magistrada também confirmou o valor arbitrado para reparação de danos materiais, com base na comprovação de gastos pela paciente com sessões de psicoterapia, e a fixação de juros de mora, a partir do qual os valores deverão ser corrigidos, contando a data da citação do Estado na sentença.

 

Processo nº 188520-81.2008.8.09.0051 (200891885200)

Extraído de: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás  - 26 de Janeiro de 2012

Last Updated on Saturday, 28 January 2012 15:15

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Quase 40% de gestantes da rede pública desconhecem teste de HIV

gestante

 

Dissertação de mestrado defendida recentemente, através do Programa de Pós-Graduação Integrado em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mostrou que é elevado o percentual de grávidas que acessam a rede pública de saúde na Região Metropolitana do Recife (RMR) e desconhecem os resultados do exame para a detecção de HIV durante pré-natal.

O trabalho, da enfermeira Juliana da Silva Nogueira Carvalho e intitulado Fatores associados ao desconhecimento do status sorológico para o HIV em gestantes, foi orientado pelo professor Sérgio Souza da Cunha.

O estudo objetivou saber se as mulheres grávidas chegam ao momento do parto sabendo do resultado do exame sorológico para HIV, que deveria ser feito ainda durante a gravidez. Para o desfecho, a enfermeira fez entrevistas com 528 mulheres grávidas, entre 13 e 44 anos em três maternidades públicas da RMR, de junho a setembro de 2010.

Percebeu-se que quase 40% das futuras mães não sabem o resultado do teste sorológico para HIV, que deve ser realizado no primeiro e no terceiro trimestre da gestação, segundo o Ministério da Saúde.

A pesquisadora ainda analisou o perfil das gestantes estudadas. Das entrevistadas que desconheciam o resultado da sorologia para o HIV, 96% viviam em situação “não unida” (não conviviam maritalmente), 96% estavam usando método contraceptivo hormonal (pílula) e 95% iniciaram o pré-natal apenas no segundo ou no terceiro trimestre de gravidez.

Para Juliana, os dados podem significar que, de acordo com esse perfil, a gravidez para essas mulheres não era planejada e, por isso, as mulheres retardavam o início da assistência médica.

RESPONSABILIDADE DOS SERVIÇOS

Além disso, a enfermeira percebeu que os serviços de saúde também têm sua parcela de responsabilidade nos achados da pesquisa. Notou-se que, quando o pré-natal é iniciado, parte das gestantes se submeteu ao teste para detecção de HIV, mas ele não foi registrado no cartão de pré-natal (30,7%).

Em outros casos, o estudo revelou que as mulheres grávidas até tiveram oportunidade de fazer o exame, mas não receberam o resultado (8,9%). Ainda houve aquelas que não fizeram o teste (9,1%). “São oportunidades perdidas de realizar a profilaxia da transmissão maternoinfantil do HIV”, observa Juliana.

Nesse contexto, vale informar que, se a testagem para o HIV for feita precocemente e o resultado for positivo, é possível iniciar a profilaxia da transmissão maternoinfantil e reduzir o risco de transmissão a menos de 1%.

Sem essa terapêutica, o risco de transmissão é aproximadamente 25,5%, podendo ser mais elevado a depender da situação imunológica da mãe e da exposição da criança às secreções e ao leite materno da mãe infectada.

Last Updated on Saturday, 28 January 2012 17:54

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Estudo vincula escolaridade a interesse por teste de HIV

Educação influencia interesse por teste anti-HIV

 

Solange Spigliatt

Um estudo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo vincula o nível de escolaridade ao interesse por teste preventivo de HIV da rede pública. Segundo o levantamento, pessoas com nível superior são as que mais procuram exame que pode detectar o vírus da Aids.

O estudo foi feito com base nos dados do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids, unidade da pasta na zona sul da capital paulista. Das 5,6 mil pessoas que realizaram exames no CRT em 2011, 45,9% declararam ter estudado 12 anos ou mais, com ensino superior completo, e 37% estudaram durante oito a 11 anos.

Apenas 6,9% dos que fizeram o exame estudaram por sete anos ou menos, o que significa não ter concluído nem mesmo o
ensino fundamental. Os demais não souberam informar por quanto tempo estudaram.

O estudo também aponta que 75% dos homens e 72% das mulheres que procuraram o serviço tinham entre 20 e 34 anos. O que já era esperado pela assistência da unidade, por ser a faixa em que há maior variação de parceiros, normalmente.

Segundo Maria Filomena Cernicchiaro, gerente de Assistência do CRT, traçar o perfil do público que busca o teste de HIV é fundamental para que se o centro possa aperfeiçoar seu trabalho de abordagem, especialmente do público com baixo nível de escolaridade.

A Secretaria promove anualmente campanhas de testagem nos municípios paulistas. Em novembro do ano passado cerca de duas mil unidades de saúde em todo o Estado realizaram, durante uma semana, mais de 100 mil exames em 455 municípios paulistas. Além disso, o teste de HIV está disponível na rotina dos Centros de Aconselhamento e Testagem espalhados pelo Estado, e é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Ainda segundo os dados, em 54,12% dos casos, o motivo da procura foi a exposição a situações de risco. A justificativa mais comum para o não uso do preservativo foi a confiança no parceiro, citada por 7,34% dos que declararam ter parceiros eventuais e por 30,98% dos que declararam ter parceiro fixo.

Last Updated on Saturday, 28 January 2012 08:03

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