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Contexto social e sexual da mulher

 

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

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Dia / Mês/Ano:

 

 

12/JUNHO/07

 

 

 

Adalberto Andrade - Escritor

11-06-2007 10:08

 

 

Existe um provérbio antigo que diz que para alguém ser realmente feliz é preciso plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro. Conheço e convivi com quem entende de plantas e terra, troquei idéias com verdadeiros garanhões, li e reli diversos escritores consagrados, mas nunca encontrei quem fosse feliz porque em sua vida já fez as três coisas. Entendo que os frutos da felicidade têm outras raízes, um Pai universal e história diferentes para contar. Quem planta às vezes não sabe colher, outro colhe o que não plantou, e se algo sai errado procura logo uma desculpa ou busca um culpado. Esta linha de raciocínio se encaixa nos três casos.

 

Cada um é responsável pelos seus atos, suas atitudes, seus desejos, seus sonhos e pelo que faz para alcançar momentos de paz e de prazer. O mal de muitos é tentar transferir a responsabilidade de ser feliz para DEUS, e depois, gradativamente, para quem mais se afeiçoa, convive e ama. De uma coisa tenha certeza, do céu só cai chuva e vez por outra um avião. Se espera que alguém o fará feliz, esqueça.

 

O ser humano é feito de corpo e alma e só se sentirá bem consigo mesmo quando conseguir estabelecer o equilíbrio entre o racional e o emocional, criar um clima de harmonia, de maneira que a razão não comprometa a emoção e vice-versa. Quando atingir este estágio estará amadurecido para melhor compreender as mudanças, se adaptar e não se sentir um estranho no ninho. O homem é um ser sociável e, como tal, não nasceu para viver só. Mas a sociedade atual é bastante diferente daquela vivida pelos nossos ancestrais. Mas não quero ir tão longe assim nem me aprofundar em cada estágio de evolução da humanidade. Dentre as muitas revoluções que se tem registro, apenas uma me interessa neste momento: a explosão sexual da mulher.

 

Como a felicidade não tem sexo e sem sexo ninguém é feliz por completo, é oportuno lembrar que a mulher é tão responsável quanto o homem dentro do contexto social e sexual da humanidade. Aliás, o chamado sexo frágil vem revolucionando o mundo, principalmente da década de 50 para cá. O aparecimento da pílula anticoncepcional, nos anos 60, causou um suspiro de alívio coletivo. Embora tenha se popularizado na década de 70, a pílula contribuiu em muito no processo de evolução sexual da mulher. Com a eclosão da denominada “revolução sexual”, mulheres como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, causaram uma completa reviravolta nos valores e costumes da época.

 

Em 1949, Norma Jean Baker - mais conhecida como Marilyn Monroe -, precisando de dinheiro para pagar o aluguel, se deixou fotografar por Tom Kelley por apenas 50 dólares. Esta mesma fotografia que se tornou polêmica mas pouco vista, na verdade era uma foto-calendário (1951), que foi adquirida por por 500 dólares alguns anos mais tarde por Hugh N. Hefner, fundador da Revista Playboy. Já na primeira edição na qual foi capa, a atriz de filmes como Quanto Mais Quente Melhor, Como Agarrar um Milionário, Os Homens Preferem as Louras, deixa de ser a anônima Norma Jean Baker para se tornar definitivamente um mito sexual. Foi a primeira mulher a pousar nua na revista Playboy americana, lançada em 1953. É mais que um símbolo, é um marco na historia do comportamento sexual da mulher.

 

Em 1957, Brigitte Bardot foi a estrela do filme E Deus Criou a Mulher, e desde então sua beleza encantou os homens e seu nome se tornou sinônimo de sensualidade. Ainda hoje se descobrem fatos marcantes e polêmicos em que seus nomes estiveram ligados direta ou indiretamente. Quem não se lembra do romance clandestino de Marilyn Monroe com Jonh Kennedy, o presidente mais popular dos Estados Unidos? Recentemente foi descoberto e amplamente divulgado uma película em que ela fazia cenas de sexo explícito. E isso  mais de meio século depois. É importante lembrar que as cenas picantes não eram com o presidente norte americano. O símbolo sexual sai de cena em 1962 com sua morte.

 

A lei do progresso e evolução continua mais presente do que nunca no universo feminino. Em 1966, a estilista inglesa Mary Quant lança oficialmente a minissaia para o mundo. Logo depois, ainda na década de 60, surge o chamado movimento hippie. A turma do “paz e amor”, “é proibido proibir”, “faça amor, não faça guerra”  tem como palco e auge de manifestação o Festival de Woodstock, realizado em agosto de 1969 em uma fazenda do Estado de  Nova York. Um grande show de rock que reuniu cerca de 500 mil pessoas em três dias de amor, música, sexo e drogas. Até hoje lembrado e reverenciado por contar com a participação de celebridades que influenciaram em peso com suas idéias e comportamentos na formação dessa geração que pregava a liberdade como ideal de vida. Mitos como Jimi Hendrix, que no citado Festival tocou o hino americano num modo que mais tarde seria chamado havy-metal. O fenômeno Led Zeppelin, cujo vocalista Robert Plant marcou presença no Rock in Rio II (1991), levando jovens e adultos ao delírio. É o grupo de rock que mais tem influenciado na formação de novos conjuntos até os dias atuais. Também divide com Jimi Hendrix o título de precursores do havy-metal.

 

Ainda me referindo a essa geração, não podemos esquecer da inflência de Jim Morrison, vocalista do grupo The Doors, que conforme artigo de Tom Leão publicado no Jornal O Globo, o cantor chamava a atenção não só pelo seu estilo vocal inimitável até hoje, mas também por sua performance agressiva/sexual, que muitas vezes o fez sair do palco no meio dos shows direto para a prisão, por seus gestos e palavras considerados obscenos. Escreveu letras imortais como The End e When The Music´s Over (referente ao Vietnã). Sua misteriosa morte em Paris em 1971, aparentemente de ataque cardíaco, nunca foi esclarecida nem o corpo jamais visto.Tudo isso somado à influência de Elvis Presley, Bob Dylan, The Beatles, Rolling Stones, e o mundo nunca mais foi o mesmo.

 

Na década de 70, com a popularização da pílula, a mulher viu-se livre de uma gravidez indesejada e promoveu o maior banquete sexual da historia da humanidade. Nos anos 80 lançaram a "amizade colorida", mas com o aparecimento da AIDS foram obrigadas a rever os seus conceitos. Na década de 90 houve uma mudança de atitude, uma volta ao passado, e uma identificação com antigos valores. Mas ninguém consegue ficar indiferente a coragem e a determinação das mulheres ao longo das últimas cinco décadas. Tudo isso é publico e notório, e não há como negar sua contribuição no processo de evolução e revolução sexual em que vive nossa sociedade atualmente. Mas onde quer chegar? Será que realmente se sente realizada afetiva e sexualmente? O homem moderno corresponde as suas expectativas? A sociedade como um todo está satisfeita com as mudanças que ocorreram nos últimos cinqüenta anos, por sua influência e ação direta? Quem ganhou com tudo isso? É difícil responder com objetividade cada uma dessas questões. Sabemos apenas que há divergências de opiniões. Há quem diga que houve inversão de valores, atentado ao pudor e aos bons costumes, desvio de conduta, etc.. Mas o que importa de fato não são os conceitos ou idéias formadas sobre a questão. Vale mais saber se o objetivo foi alcançado pela categoria. Com a palavra, as mulheres! Os homens - ainda em estado de choque - agradecem. 

 

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