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Peça *Duelo* faz defesa do sexo seguro

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

Jornal de Beltrão – PR

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

Francisco Beltrão

 

06/JUNHO/07

 

 

 

Mas a ignorância, refletida em situações da peça, é a mesma que existe no mundo real, aqui fora. Ignorância, desinformação mas também insegurança, porque somos humanos.

 

Badger Vicari

 

A Aids é a doença do neoliberalismo. Desde os anos 80 até este século a epidemia — assim como o sucesso do capitalismo financeiro e a desintegração do Estado — atingiu o mundo, e governos e ONGs e a arte se colocaram em defesa da vida, iniciando então uma mobilização pelo sexo seguro. A peça “Duelo”, da Cia Théspis de Teatro — escrita por Vilmar Mazzetto e dirigida por Celomar Graeff — se encaixa nessa saga, aqui, com a parceria da Secretaria da Saúde do Estado do Paraná, Secretaria Municipal de Saúde de Francisco Beltrão e 8º Regional de Saúde.

 

Apresentada sábado e domingo no Espaço da Arte, a peça trata da Aids, do isolamento e da morte iminente, pontuando com falas dos atores onde se combate o preconceito, explicando como se pode pegar Aids e como não se pega.

 

Muita coisa dita em peça foi compilada de testemunhos verdadeiros, conforme adiantou Mazzetto no folder apresentador do teatro.

 

Quando o assunto envolve sexo

“Por que comigo?” pergunta um portador. E deve ser a pergunta feita por todos os que se vêem numa situação-limite. É certo o que a peça defende, que as pessoas devem se cuidar, que não se deve discriminar os portados do vírus.

 

Mas a ignorância, refletida em situações da peça, é a mesma que existe no mundo real, aqui fora. Ignorância, desinformação mas também insegurança, porque somos humanos.

 

Quando o assunto envolve sexo, ficamos todos preocupados e muitas vezes fragilizados. Fiz há uns anos exame de Aids, e como quando saltei de pára-quedas, e pensava nos dias que antecederam o salto, “e se o pára-quedas não abrir?” o mesmo pensei nos dias que antecederam o resultado do exame: “e se...”. Nunca estive na zona de risco, por não usar drogas e nem ter uma vida promíscua. Estava evidentemente tranquilo. Mas para quem já fez muita festa nesta vida, sempre tem aquela pontinha de “e se...”.

 

Pois essa insegurança me vem à mente agora, me imaginando se tivesse um amigo ou amiga infectado. Não tenho, não conheço ninguém assim. Mas abro o coração: não sei como reagiria. Poderia escrever que, claro, minha relação com o amigo ou amiga continuaria a mesma. Mas será? Não sei. Uma coisa é teorizarmos, outra coisa é outra coisa.

 

Por isso também a peça é boa de assistir e de pensar sobre ela. Se nos coloca na ponta da língua o discurso politicamente correto, pode igualmente nos forçar a aprofundar nossa sensibilidade e tentar imaginar um dia-a-dia verdadeiro aquilo que a ficção da Théspis relatou.

 

Eu digo que não tenho preconceito, e não tenho mesmo. Nem contra os preconceituosos de carteirinha.  Mas já sou maduro o suficiente para admitir que, numa situação nova, não sei se agiria de forma como teorizo. Um exemplo absurdo e fora de contexto: se amanhã, fico sabendo que ganhei R$ 27 milhões!

 

Reza a cartilha politicamente correta que mesmo trilionário eu teria que continuar sendo o mesmo cara...

 

Estamos todos ligados

Os atores Evandro Teixeira, Fabiane de Cezaro, Adinan Fidelis e Edivan Arini estão muito bem, misturando frases e dramaticidade, com dança e caras e bocas. Dramaticidade, aliás, que abre o espetáculo, com eles presos a ferros que lembram alguma gaiola, revelando que estamos todos — a humanidade — irremediavelmente ligados.

 

Foi Frei Betto quem escreveu uma vez que a Aids mobiliza tanto, e tanto dinheiro é gasto na procura de sua cura, “porque ela atingiu a classe média e alta branca”. E, cruel, completava: “se a fome atingisse a classe média e alta branca, teria sido eliminada”.

 

Como confirma o autor: “a Aids passa a ser uma epidemia que não respeita status, cor, raça ou religião. Todos estamos sujeitos.”

 

E isso é retratado na peça, quando a pessoa se descobre portadora. Perplexa. “Por que comigo?” é a indagação que ecoa no palco e é como que um mantra eterno adivinhado na intimidade de quem se acidenta e pega ou se vê infectado de surpresa. “Por que comigo? Por que comigo? Por que comigo?” 

 

Praticamente não há humor nesta peça, mais densa. Há a música que diz  “ela só quer, só pensa em namorar...”, permitindo uma mistura de humor e lascividade pré-adolescente nos personagens jovens.

 

“Duelo” mostra mais uma vez que a equipe de atores da Théspis é de excelente qualidade.  Que há, entre eles, uma sintonia boa, que passa segurança.

 

Resultado, enfim, de talento, mas também de muito trabalho, ensaio, disciplina.

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O significado da expressão - vida social - abrange a possibilidade de plena autonomia sobre sua própria vida, integra a capacidade de trabalhar, de constituir família, de manutenção de

atividades na comunidade onde se vive.

“Constituição Da República Federativa Do Brasil:

TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos


Art. 5º - Todos São Iguais Perante A Lei, Sem Distinção De Qualquer Natureza, Garantindo-Se Aos Brasileiros E Aos Estrangeiros Residentes No País A Inviolabilidade Do Direito À Vida, À

Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”

Artigo que alinha princípios e direitos em seus incisos, os quais notoriamente dizem respeito ao convívio e à comunicação social. Dos incisos, destaca-se, textualmente:
VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".

Art. 6o – “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.

Há Vida com o HIV!
Viver com AIDS é Possível! Saude sim e preconceito não.
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