Category: Notícias da Ultima Versão do Site Created on Wednesday, 13 June 2007 06:18 Last Updated on Wednesday, 13 June 2007 06:18 Published on Friday, 19 June 2009 19:44 Hits: 1039
Além das "Cinco Irmãs", região foi invadida pelos chineses
Abuja (Nigéria) e Luanda (Angola) - A "obrigação moral" dos países ocidentais para com a África, a qual Tony Blair comprometeu-se a apoiar na Reunião de Cúpula do Grupo G 7+1 na semana passada, ao que tudo indica, não chega ao ponto de permitir que o sofrido Continente Negro explore seus recursos naturais em benefício próprio.
Meio século após o início da criação de estados independentes na África, uma nova feição de colonialismo faz com que os países pobres não recebam as arrecadações as quais fazem jus, principalmente da exploração de suas reservas petrolíferas.
É indicativo que enquanto a África produza 9% do petróleo do mundo neste momento, apenas 2% é consumido por todos os países africanos. Em 2020, as jazidas de petróleo africanas representarão 45% das reservas mundiais.
E é em busca da força-motriz econômica - o petróleo - que cada vez mais países, principalmente os EUA , se voltam ao saque da riqueza petrolífera da África. Das importações de petróleo dos EUA, 17% provém da África subsaariana. Estima-se que o percentual aumentará para 25%. O epicentro deste interesse é o Golfo da Guiné e países como Nigéria, Líbia e Guiné Equatorial, onde concentra-se cerca de 70% da atual produção africana.
O escritor Nicolas Saxon, em seu livro Poços Envenenados - As Políticas Sujas do Petróleo Africano, refere-se exaustivamente ao fio invisível que atrela o petróleo aos conflitos bélicos e a corrupção desenfreada no Delta do Niger, a guerra civil de Angola e a situação incendiária no Gabão e na Guiné Equatorial.
Conforme destaca Saxon, é característico que o colosso Exxon Mobil extraia de Angola, até o ano que vem, volume de petróleo maior do que extrai no território norte-americano.
Angola está sendo praticamente obrigada a produzir um milhão de barris diários, volume exportado integralmente aos EUA, e 70% de sua população sobrevive em condições de miséria absoluta, 80% não tendo acesso à assistência médica essencial.
Aqui em Angola, outra das "Cinco Irmãs", a Texaco-Chevron, já atua há 60 anos. Ela não foi em nada afetada durante a guerra civil que assolou este país, e graças à uma legislação especial, não é obrigada a divulgar balanços anuais. Muito menos os volumes de desempenhos operacionais, o que significa que não está recolhendo sequer uma "kwanza" (moeda nacional angolana).
Em troca, Luanda não divulga as arrecadações provenientes do petróleo na previsão orçamentária anual. Esse dinheiro acaba nos bolsos das autoridades, ao invés de ir para o erário público. Condições análogas de corrupção predominam nos demais países, e o resultado é africanos sendo assolados pela fome, doenças, falta de assistência médica e educação.
Por causa da explosiva situação no Oriente Médio, muitos países, como a Arábia Saudita e a China, iniciaram a construção - e exploração - de refinarias no Continente Africano.
Nos últimos tempos, o interesse de empresas petrolíferas estrangeiras tem se concentrado em países da África Oriental, como Ruanda. O país, segundo cálculos preliminares, dispõe de 48,6 bilhões de barris em reservas de petróleo. Empresas estrangeiras "se matam" para "vencer as concorrências" e conquistar o direito de extração e exploração ali.
As empresas estrangeiras já investiram cerca de US$ 500 milhões em operações de pesquisas, desde a Eritréia até a África do Sul. Contudo, por enquanto existem apenas 479 poços comercialmente exploráveis em operação, em comparação aos 20 mil na África do Norte e outros tantos na África Central.
Invasão chinesa
No Sudão, a "fatia do leão" pertence à China, que entrou no jogo "para valer" e importa da África 25% de sua demanda por petróleo. Simultaneamente, empresas chinesas administram grande parte do volume do petróleo produzido no país em troca de apoio político e econômico.
Em Madagascar, espera-se que a extração de petróleo começe no verão. Sua produção e comercialização estará a cargo da Madagascar Oil, empresa norte-americana sediada em Huston, no Texas (EUA), enquanto outras operações, mais ao norte, estão a cargo da Exxon Mobil.
Em Uganda, a extração começa em 2009, sob as concessões outorgadas às petrolíferas Heritage (Canadá) e Tullow Oil (Grã-Bretanha). Já as concessões das reservas de gás natural da Tanzânia estão sendo disputadas pela Petrobrás (Brasil), Statoil (Noruega) e Aminex (Grã-Bretanha - Irlanda).
A Shell realizou tentativas semelhantes de extração de petróleo. Contudo, ainda não conseguiu obter a concessão do governo da Tanzânia.
Em Moçambique, atuam empresas petrolíferas italianas e norte-americanas, enquanto na Etiópia, cujas reservas de gás natural são estimadas em cerca de 100 milhões de m3, já foram concedidas às empresas petrolíferas White Nile, Petronas e Lundin Petroleum.
Pedro Belasco
Enviado especial.
O continente africano em tristes números
- 9% da produção mundial de petróleo é extraída na África, e somente 2% é consumida pelos países africanos.
- 30% do volume de petróleo importado pela União Européia provém da África.
- 45% das reservas mundiais será representada pelas reservas africanas até 2020.
- 29 milhões de crianças africanas abaixo de 5 anos morrerão de inanição e doenças nos próximos 10 anos.
- 3 milhões de africanos foram contaminados pela AIDS em 2005, 64% dos novos casos do ano no mundo.
- 30 milhões de homens e mulheres africanas são portadores de HIV.
- 122,5 milhões de crianças africanas sofrem de inanição.
- 900 milhões de pessoas vivem nos 53 países da África.
As quatro "pragas" da África
Educação - 40 milhões de crianças não freqüentam escolas.
A falta de acesso em cada um dos graus de ensino é um dos maiores problemas da África. Cerca de 40 milhões de crianças não freqüentam escolas, e a falta de ensino gratuito dificulta a freqüência das crianças cujos pais têm disposição em educá-las.
Em determinadas regiões, como o norte da Etiópia, não existe escola, e apenas 3% das crianças recebem alguma educação. A situação é ainda mais dramática para as meninas: na África Ocidental, somente 40% delas freqüentam escolas.
Contudo, a educação é a chave para a solução de muitos dos problemas que assolam o Continente Negro. O impulso da democracia, o fortalecimento da posição feminina, a orientação sobre a AIDS, tudo isso pode ser feito através da escola.
Além disso, a formação da mão-de-obra constitui um método - a longo prazo - de combate à pobreza.
Saúde - US$ 120 anuais por habitante
Os habitantes da África - infelizmente - não podem ter a esperança de atingir a longevidade. Aids, malária e tuberculose matam milhões por ano. Dos 20 países do mundo com maior mortalidade infantil, 19 são africanos.
O gasto per capita dos países africanos para a assistência aos doentes mal chega aos US$ 100, os países desenvolvidos gastam US$ 3.080. Cerca de 30 milhões são portadores do vírus da Aids, e a cada ano um milhão de africanos morrem acometidos pela malária, e mais um milhão perde a vida com a tuberculose.
O Fundo Mundial, constituído para combater exatamente estas doenças, alimenta a expectativa de que sua obra, da qual a Fundação Bill Gates também participa, muito em breve produzirá seus esperados frutos.
Em alguns casos, seria suficiente existir pessoal especializado. Por exemplo, a diarréia é uma das principais doenças causadoras de morte às crianças abaixo de cinco anos. Se existisse alguém para informar aos país que basta dar água com açúcar e sal para elas, o quadro seria muito diferente.
Pobreza - Ajuda humanitária de... US$ 16 anuais por habitante
O número soa como tragédia: nos últimos 60 anos, os países industrializados destinaram US$ 2,3 bilhões como ajuda aos países do Terceiro Mundo, principalmente para a África. Mas se forem avaliados os números das populações às quais este volume de recursos é destinado, torna-se fácil perceber que trata-se simplesmente de uma "gota no oceano", US$ 16 anuais por habitante.
Em antítese com a Ásia, onde o ritmo de crescimento econômico é altamente veloz, na África a situação tem permanecido imóvel durante décadas. Especificamente ao sul do Saara, milhões de africanos sobrevivem com menos de US$ 1 por dia, enquanto a galopante expansão demográfica agrava o já agudo problema da pobreza.
Os motivos para o quadro que o Continente Negro apresenta são muitos, como as equivocadas escolhas de seus próprios líderes. Por outro lado, a distribuição da ajuda humanitária funciona - muitas vezes - de forma catastrófica.
Por exemplo, os EUA ainda enviam alimentos para regiões onde existem agriculturas e agricultores, que no final vão à falência porque ninguém compra seus produtos em função das remessas de alimentos dos EUA.
Democratização - Como guia... as ambições pessoais
A democracia é um sistema que foi imposto pelo Ocidente à África, e por isso mesmo sua evolução é tudo menos normal. A maioria dos partidos participa das eleições sem programa, e raramente representa interesses diferentes. Os programas se baseiam nas identidades nacionais e ambição pessoal de seus líderes.
Em muitos países africanos o poder está com ditadores, como Mugabe no Zimbábue e Omar al Basir no Sudão, isto sem falar na família que há anos domina o Gabão. Há outros "disfarçados" de líderes democratas.
Contudo, aos poucos desaparecem os ditadores sangüinários, como o famigerado Mobutu. Certos países, como Botswana e África do Sul, melhoram consideravelmente seus indicadores de corrupção, calculados ano após ano pela Transparency International.
É indicativo que os dois países mencionados ocupem as posições 37a e 51a, respectivamente, enquanto a Itália ocupa a 45a.
Entretanto, a classe média da África começou a reivindicar poder político nos últimos anos, aumentando as esperanças por uma genuína democratização, com ajuda, e não imposição, do Ocidente.
Mas será difícil romper as barreiras internas e eliminar vícios, alguns "importados" e outros "ressuscitados" pelos novos colonizadores.
PB
Informação vale vidas humanas já se dizia em 2000.
O significado da expressão - vida social - abrange a possibilidade de plena autonomia sobre sua própria vida, integra a capacidade de trabalhar, de constituir família, de manutenção de
atividades na comunidade onde se vive.
“Constituição Da República Federativa Do Brasil:
TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I - Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos
Art. 5º - Todos São Iguais Perante A Lei, Sem Distinção De Qualquer Natureza, Garantindo-Se Aos Brasileiros E Aos Estrangeiros Residentes No País A Inviolabilidade Do Direito À Vida, À
Liberdade, À Igualdade, À Segurança E À Propriedade ( ... ).”
Artigo que alinha princípios e direitos em seus incisos, os quais notoriamente dizem respeito ao convívio e à comunicação social. Dos incisos, destaca-se, textualmente:
VIII - "ninguém será privado de direitos";
XIV - "é assegurado a todos o acesso à informação".
Art. 6o – “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Há Vida com o HIV!
Viver com AIDS é Possível! Saude sim e preconceito não.
Cristiane Rozick. Jurista Brilhante e ativista pelas causas em que se luta pela vida em igualdade de condições para todos
Monto sites, configuro computadores, configuro skype, gtalk, voip etc... Se você faz parte do terceiro setor e tem dificuldades com TI, entre em contato pelo fone 11 95285170.
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